26 de abr de 2015

Campeões há muitos, Guardiola só há um

Apelidado de anárquico por uns, elogiado por outros, o Bayern foi novamente campeão sem dar qualquer hipótese à concorrência. Verdade seja dita, a concorrência foi demasiado dócil para um Bayern tão forte, mas tal não retira mérito nenhum ao titulo conquistado por Guardiola. Não me custa imaginar um lista de 10 treinadores que fossem capazes de ser campeões este ano se tivessem no lugar dele, mas dificilmente algum o faria com a qualidade de Pep. 

Guardiola representa há vários anos aquilo que o futebol tem de melhor. Para ele, ganhar não chega, ganhar não o satisfaz, se não for associado a um futebol de qualidade, se não for claramente a equipa que melhor qualidade de jogo apresenta. É por isso que inova, inventa, experimenta, tudo com o objectivo de colocar a sua equipa a jogar o melhor futebol possível. Desde de jogar apenas com um defesa central, a colocar os defesas laterais a iniciar o processo ofensivo como médios interiores. o desejo de Guardiola em fazer evoluir o seu modelo de jogo parece nunca ter fim. É este o maior elogio que se pode fazer a um treinador, que apesar de já ter ganho tudo no futebol, de ser de longe o treinador que melhor coloca a sua equipa a praticar um futebol de excelência, nunca pára de imaginar de que maneira pode melhorar. 

Quem gosta verdadeiramente de futebol, tem, obrigatoriamente, de gostar de Guardiola e das suas ideias. Tem de adorar um treinador, que além de ganhar, proporciona a quem assiste aos seus jogos... futebol. Parece simples e fácil tal feito, dado que tem um plantel cheio de qualidade individual, mas quantas não são as equipas, que mesmo tendo no seu plantel vários jogadores de topo Mundial ,apresentam um futebol medíocre por culpa do seu treinador? 

Vale mais assistir a pequenos vídeos sobre a época do Bayern, que a 90 minutos, de certos jogos e de certas equipas


Campeões há muitos, mas Guardiola há apenas um, porque para ele, ganhar é "apenas" uma consequência natural de praticar um futebol de qualidade. 

22 de abr de 2015

Mitos

Gosto muito, mesmo muito, de falar em mitos, e no futebol há vários, pelo que não me é difícil escolher um para escrever um simples post. Hoje, como foi dia de Champions resolvi pegar no mito que é a organização defensiva do Atlético de Madrid comando por Simeone. Muito se fala sobre a organização defensiva dos Colchoneros, e na maior parte dos casos, em tons elogiosos. Diz-se, que são muito bem organizados defensivamente, que é difícil criar várias situações de golo contra eles e que são uma equipa agressiva. 

Com a ultima parte concordo plenamente e até digo mais: além de agressivos sobre a bola também são agressivos sobre as pernas dos jogadores adversários. Quanto às outras duas premissas, tenho grandes dificuldades em concordar. Para mim, defender com qualidade não é sinonimo de defender com muitos jogadores nos últimos metros do campo, porque apesar de serem muitos e na maior parte dos casos até serem mais que os adversários numa determinada zona, de nada vale a quantidade se os comportamentos não forem de qualidade. Quanto à dificuldade em criar situações de finalização contra o Atlético de Madrid, concordo inteiramente, mas só se os adversários forem estúpidos ao ponto de terminar todos os lances com cruzamentos para a grande área. Caso se lembrem e tenham qualidade para jogar por dentro, com combinações entre dois ou três jogadores, facilmente se percebe que não é assim tão difícil criar situações de finalização. 

Contra o Real Madrid, foi este o comportamento defensivo do Atlético, no lance golo que os afastou das meias-finais da Champions




21 de abr de 2015

Como é bom ver-vos jogar!

Pequenos em altura, enormes em talento. É por existirem jogadores como Verratti e Iniesta que o futebol é um desporto tão apaixonante. Jogadores que a cada jogada inventam algo novo, algo que ninguém estava à espera. Qualidade técnica, criatividade e inteligência em grandes quantidades resultam em jogadores assim. Não precisam de ser altos, não precisam de ser fortes nos duelos físicos nem precisam de correr como doidos durante 90 minutos porque tudo o que é preciso eles têm. 


18 de abr de 2015

Controlo da profundidade

Não faz nenhum sentido o posicionamento de Diego Alves no lance do 2º golo do Barça marcado por Messi. Com os seus colegas todos balanceados no ataque à procura do golo do empate, no mínimo Diego Alves deveria estar a meio do seu meio campo e não dentro da sua grande área. Caso estivesse onde devia, teria controlado a profundidade e muito provavelmente teria evitado o golo de Messi ,ainda de que nada valesse em termos pontuais, dado que o jogo iria terminar da mesma maneira, ou seja, com a derrota do Valência. 

16 de abr de 2015

David Luiz e os talentosos

Após a exibição medíocre que David Luiz protagonizou frente ao Barcelona, foram várias as criticas direccionadas ao central brasileiro. Glenn Hoddle, antigo selecionador inglês, foi corrosivo na sua avaliação e comparou David Luiz a uma criança de 8 anos. Verdade seja dita, há crianças de 8 anos que já sabem, que se forem o ultimo jogador (sem contar com o guarda-redes)  da sua equipa, entre a bola e a baliza, devem recuar uns metros, fazendo contenção, à espera que um colega de equipa chegue, e só nas imediações da grande área devem sair ao portador da bola. 

Glenn Hoddle diz ainda que "Ele (David Luiz) gosta de jogar como se estivesse no recreio onde o jogo não tem forma. Ele é talentoso mas não é isso que faz um futebolista de topo". Vários são os futebolistas que encaixavam que nem uma luva neste lote "talentosos sim, de topo não". Jogadores que apesar de terem muita qualidade técnica e de serem muito bons fisicamente, não conseguem ser de topo porque lhes falta inteligência. 

Um dos exemplos mais claros para se perceber (ou não) esta temática é Ricardo Quaresma. Apesar de ser um jogador extremamente talentoso, nunca se conseguiu afirmar num grande campeonato, mesmo tendo tido oportunidade de jogar em Inglaterra, Itália e Espanha. Não o conseguiu porque nunca foi capaz de colocar a sua qualidade técnica ao dispor do coletivo, associando-a à tomada de decisão e à inteligência. Nunca foi capaz de se relacionar com os colegas dentro de campo porque sempre jogou um futebol de recreio e não um futebol pensado. 

Embora David Luiz, Quaresma entre outros, tenham muita qualidade técnica, sejam dos mais talentosos que há nas suas respectivas posições, jamais estarão ao nível de jogadores que conseguiram associar a sua qualidade técnica e física à inteligência. 






11 de abr de 2015

O Rayo de Paco Jémez


Independentemente da qualidade dos executantes (jogadores), são as ideias do treinador que determinam, se num dado momento do jogo, a equipa, é ou não competente, colectivamente falando. Não se entenda por competência o número de golos marcados, isto do ponto de vista ofensivo, porque isso já não depende das ideias do treinador mas sim da qualidade individual dos jogadores. A fase de construção, é na minha opinião, o momento do jogo ofensivo em que o treinador tem mais responsabilidades, isto porque, quando passamos para uma fase de criar oportunidades de golo, já é a criatividade dos jogadores o factor que mais influência tem.

Posto isto, Paco Jémez apresenta o seu Rayo. Sempre fiel aos seus princípios de jogo, independentemente do adversário que enfrenta, o Rayo é uma equipa com mentalidade de grande. Futebol de posse, de construção apoiada, de qualidade na circulação de bola são algumas das marcas da equipa de Paco Jémez. Embora apresente algumas debilidades defensivas, é de louvar que uma equipa com a qualidade individual do Rayo, apresente um futebol deste nível. Para terminar, um desejo, ver Paco Jémez numa equipa com qualidade individual igual à qualidade das suas ideias ofensivas.

(a bola entrou no jogador perto do arbitro)



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