11 de jun de 2015

Futebol de Formação

Ninguém é mais transparente e sincero que os miúdos, e quando não gostam de algo, neste caso de um exercício no treino, podem não o dizer directamente, mas dificilmente o conseguem esconder. Nota-se pela maneira como encaram o exercício, se estão ou não a gostar do que estão a fazer, e se acham útil fazê-lo. A concentração e motivação que os miúdos têm em cada exercício é reveladora do que estão a sentir em relação ao que lhes foi proposto pelo treinador. No decorrer dos exercícios vários são os erros que os miúdos desta idade cometem, na maioria, erros técnicos, como por exemplo um passe pouco preciso ou uma recepção mal feita, mesmo tratando-se de  exercícios de pouca complexidade. Perante este tipo de erros, aparentemente evitáveis, o treinador "culpa" os jogadores, referindo-se à concentração com que estão a executar o que lhes foi pedido. 

O que muitos treinadores de formação não conseguem entender, é que esses erros, muitas vezes são culpa do próprio exercício. Isto é, o exercício é tão aborrecido, tão descontextualizado do que é o jogo, que os miúdos não conseguem manter os níveis de concentração altos, e com isso cometem erros. Erram, mesmo tendo qualidade suficiente para fazer um simples passe ou uma recepção, porque aquele tipo de exercício já não é desafiante para eles. Obviamente que nem sempre a culpa está relacionada com os exercícios, mas no caso dos jogadores mais evoluídos tecnicamente, quando erram tanto em exercícios simples, quase sempre a culpa é do tipo de exercício e da exigência do mesmo. 

Exercícios sem oposição, estáticos, em que a única coisa que lhes é pedido é passar para o colega, sem sequer terem de pensar para qual deles passar, são completamente desmotivantes e descontextualizados e isso reflecte-se no rendimentos dos miúdos, não porque não tenham qualidade para fazer o que lhes é pedido, mas porque não conseguem encontrar motivação e concentração para fazer algo que consideram aborrecido e demasiado fácil. 






6 comentários:

Ruben Ribeiro disse...

Concordo totalmente.
Diria que nestes escalões mais jovens, o treinador tem de ter uma faceta tambémm de psicólogo. Devem estimular os putos a fazer o que gostam e não cair em cima ao primeiro erro, pois podem constranger o seu jogo e nestas idades o importante é mesmo terem liberdade e irem interiorizando aspetos táticos com calma.
E nesse post talvez estará a explicação do abandono de muitos miudos do futebol, torna-se muito mais "confortável" jogar na rua, quando deveria ser o oposto.

Anônimo disse...

Muito bom. Sempre a aprender.

abraço

AC1906

Anônimo disse...

Mas fazer exercicios em que só jogam com oposição, qundo nem sequer conseguem fazer um passe ou uma recepção sem oposição também não é o mais aconselhado!!

Depende sempre de que idades, que objectivos conseguem cumprir, que etapa se encontram e contexto que estão inseridos... Por veze começar com exercicios simples, sem complexidade alguma para iniciarem o jogo, quando nunca deram um pontapé na bola é o ideal...

Abraço e bom blog!!

Coach Peter

Honoris disse...

Pode ter oposição mas ser um exercício com complexidade baixa. Ter oposição vai obriga-los a melhorar mais rápido porque sentem que se não o fizeram vão ter mais dificuldades em conseguir ter sucesso naquele exercício.

Anônimo disse...

Honoris, eu percebo o teu contexto, mas posso dizer-te por experiência própria que muitos miúdos acabam frustados se não conseguirem dominar bem as vertentes simples do jogo, como passe -recepção- drible - finalização, podem acabar por desistir por acharem que não são suficientes bons ao verem colegas que assimilam mais rápido os processos simples... No inicio de formação devemos deixar mitos para trás e usar realidades analíticas e depois periodizadas, sem perder nunca o foco no jogo!! E olha que desenvolvendo bem as simplicidades, normalmente tem depois muito mais espaço mental para os aspectos complexos, por se preocupa pouco com os simples... Mas são opiniões e respeito quem pensa difirente.. Abraço

Coach Peter

Honoris disse...

A questão é que quando o exercício é tão "´básico" e descontextualizado, os miúdos não conseguem estar tão concentrados quanto deviam. Eu não digo que se deve começar por situações complexas. Considero é que mesmo com os miudos com mais dificuldades tecnicas, o ideal é o exercicio potenciar mais do que apenas o gesto tecnico. Para mim será sempre melhor trabalhar o passe numa situação de 3 vs 1 do que 4 jogadores, um em cada cone, a passarem uns para os outros

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