23 de jul de 2015

Exigências competitivas. Futebol de formação

Quando se fala sobre o futebol de formação e o desenvolvimento dos jovens jogadores é quase impossível não se falar da exigência competitiva a que cada jovem está sujeito. Os estímulos, quer ao nível do treino quer do jogo terão sempre de ser os mais indicados, os que mais favorecem a aprendizagem do jovem jogador. Só garantindo, entre outros factores, uma exigência adequada é possível que o jovem jogador evolua o máximo que for exequível. 

É aqui que surge, na maior parte dos casos, o grande problema no processo de aprendizagem dos jovens jogadores. Quais são os estímulos mais indicados para o jogador X? Qual o escalão em que o jogador Y deve jogar? Obviamente que não é fácil ter a certeza absoluta de qual é o estimulo ideal para cada jogador, nem será fácil, em contexto de treino conseguir individualizar, mas há várias situações em que é mais que óbvio que aquele jogador já não está a aprender nada com aquele nível de exigência. 

São vários os casos em que vemos treinadores de formação, a utilizar jogadores mais velhos (biologicamente falando) em escalões mais baixos para que a equipa consiga vencer mais jogos com maior facilidade. Mas o que é que o jogador aprende nesse nível de exigência? Quais são os estímulos a que está sujeito que o vão fazer crescer enquanto jogador? Se tudo for demasiado fácil para o jogador, como é que ele irá errar e com isso aprender?

O contrário também se verifica. Num clube meu conhecido, alguém teve a ideia de colocar a equipa de Benjamins A a competir no escalão de Infantis B sem que a qualidade dos miúdos o justificasse (apenas 1, talvez 2 tenham qualidade a mais para competir no escalão de Benjamins A). O que é que vai acontecer a estes miúdos durante a época que se aproxima? Qual será a evolução que irão apresentar no final da época, se vão passar a maior parte dos jogos sem conseguirem trocar a bola entre si mais que 3s seguidos? Como será que os miúdos vão reagir ao facto de, durante a semana, competirem, no treino, com adversários do seu nível, e ao fim de semana enfrentarem adversários muito melhores que eles?

Há que ter a sensibilidade de perceber a que exigência os jogadores devem estar sujeitos, tendo sempre em conta, não a idade real mas a idade biológica de cada um. Os treinadores de formação devem cada vez menos pensar no resultado de cada jogo e na classificação no final da época, concentrando-se apenas na evolução dos seus jogadores, para que estes, no futuro, sejam capazes de ter todas as ferramentas necessárias para triunfar.  







9 comentários:

Carlos Mota disse...

Cada caso é um caso, e deve ser tratado sempre de maneira diferente!

Um jogador com 15 anos, devem ser inserido nos escalões mais novos? Sim, SE o grau de exigência menor o ajudar a desenvolver-se dando-lhe mais confiança e a técnica necessária que lhe é deficitária! Porem não pode andar para sempre naquele escalão, e pode acontecer o caso que ele esteja 2 anos atrasado no seu desenvolvimento e chegue aos seniores sem jogar oficialmente na formação. (não acontece porque entretanto o jogador abandona), mas gostava de ver esta experiência.

Por outro lado, um jogador mais novo apenas deve subir ao escalão superior se lhe for incutido pelo atual treinador bases do escalão acima. O que quero dizer com isto? O treinador deve propor uma serie de exercicios com conteudos tecnicos-tacticos do escalão em que o jogador vai ser inserido para ver se o jogador se vai sentir confortavel/motivado em la estar e deve saber os nomes tecnicos das movimentações para que o treinador não tenha que lhe explicar tudo individualmente!

Luis Santos disse...

Sr Carlos Mota,
Pode-me explicar o último parágrafo? Que conteúdos técnico-tácticos? Que nomes técnicos?
(atenção, a pergunta é sincera e sem malícia alguma)

Carlos Mota disse...

É suposto que em cada escalão os atletas aprendam um determinado conjunto de conceitos tacticos, é suposto que vão aprendendo ,aos poucos, os princípios fundamentais do jogo! Equilibrio, Concentração, Mobilidade, Penetração, Cobertura ofensiva/defensiva, Contenção e Finalização. Pode dizer "isso é perfeitamente possível de se ensinar ao longo de uma epoca", mas a realidade dos clubes é que têm 2 treinos por semana e alguns com sorte 3. O que torna a tarefa muito difícil, a menos que tenha um conjunto de atletas extraordinários que executem tudo á 1º.

Gonçalo Matos disse...

Não percebo muito bem a ideia de por um jogador num escalão mais jovem que o que deveria pertencer... Nem todos podemos ser jogadores, ele ir para um escalão de mais novos rouba espaço a miúdos com maior potencial.

Carlos Mota disse...

Um conjunto de atletas, por exemplo, entre 13 e 14 anos não vão estar todos desenvolvidos fisicamente nem psicologicamente ao mesmo tempo, é um processo que leva mais ou menos tempo, por isso, é so uma questão de ajudar o atleta a desenvolver-se! ele nao vai jogar no campeonato pelos mais novos, vai apenas conseguir realizar os exercicios propostos em treino com êxito, o que o vai motivar e melhorar a auto-confiança. Coisa que seria impossível no escalão onde está inserido.

Gonçalo Matos disse...

Mas em que situação seria isso feito?
Á partida o clube nas suas captações escolhe atletas que possam realizar os exercicios... Depois se conseguem desenvolver-se tanto quanto os outros é outra questão. A nivel psicologico nao consigo compreender bem a questão...
Mas baixa-los ao escalão anterior é, a meu ver, roubar tempo de prática aos outros que têm a idade de lá estar..

Anônimo disse...

Honoris ainda bem que saiste do svpn.

Muito melhor agora, nao fazias muita falta...

Honoris disse...

É um prazer agradar :)

Filipe disse...

«Se não deixam que o jovem decida por ele, perde-se a grande magia do futebol, que é a magia que nós Sporting permitimos que o nosso jogador tenha. Deixamos que o jogador, nas idades mais baixas, jogue com criatividade , só ao fim é que aparecem os Ronaldos, os Figos, os Gelsons, os Manés, só no fim é que eles aparecem, não e a reprimir o erro, não é a tirar ao miúdo a qualidade de ser ele a decidir. Quando há um jogador criativo, o jogador não sabe o que vai fazer, todos aqueles dribles, aquela magia, ele não sabe como é que fez aquilo, saiu. Mas se reprimirmos constantemente a sua tomada de decisão, ele depois perde essa criatividade. É neste contexto que o jogador à Sporting não é um miúdo com medo de ter a bola nos pés, pelo contrário, é um miúdo que dá um gozo enorme ter a bola nos pés, isso é uma diferença abissal»

Palavras interessantes de Aurélio Pereira

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