29 de out de 2015

Apenas ganhar não chega: O Bayern de Guardiola

Enquanto alguns treinadores procuram uma maneira de voltar a colocar a sua equipa a ganhar de forma consecutiva, Guardiola procura o milésimo caminho para o fazer. Apenas ganhar já não chega. Há que inovar, há que arranjar novos caminhos para chegar ao golo, para desorganizar e baralhar o adversário. Enquanto alguns treinadores deixam no banco os seus melhores jogadores porque estes "defendem" mal, Guardiola utiliza-os para massacrar os adversários, de todas as maneiras, por todos os lados (33 golos em 10 jornadas). Enquanto alguns treinadores caem no ridículo de afirmar que os jogadores X e Y sairam do 11 para a equipa ficar mais compacta a defender, Guardiola utiliza-os para ter a bola praticamente o jogo todo e com isso não permitir ao adversário criar perigo (4 golos sofridos em 10 jornadas). 

Inicio do lance do 3º golo
Mobilidade, dinâmica, trocas posicionais. Jogo entendido por todos, em todos os momentos. 4x4x2? 4x3x3? Umas vezes um, outras vezes outro. o importante é o portador da bola ter sempre soluções de passe em todas as direcções. 
Thiago baixa para organizar, Alaba desloca-se para ser opção de passe frontal
Lance resolvido de forma individual, mas sempre com a intenção de procurar o corredor central

Depois de uma tabela, com Alaba em zonas interiores

Lance do 3º golo
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18 de out de 2015

Nápoles vs Fiorentina: Sarri e Paulo Sousa

2 treinadores, cada um com o seu modelo de jogo, com os seus princípios, mas ambos com o mesmo objetivo: Dar condições aos seus jogadores para jogarem um futebol de qualidade. Qualidade na circulação de bola; Dificultar ao máximo a posse de bola do adversário; Apoios próximos ao portador da bola; Preferência pelo corredor central; Construção apoiada. Podem não terminar nos 2 primeiros lugares da Liga Italiana mas que são os 2 treinadores mais competentes, disso não tenho dúvidas. 

Apoios próximos ao portador da bola. Preferência pelo futebol curto e apoiado
 Jogadores entre linhas, no corredor central
 Pressão alta. Dificultar a construção do adversário, retirando-lhe tempo e espaço

Mourinho explica ausência de Hazard do onze: «Estávamos a sofrer muitos golos»

Quem o viu e quem o vê. De um treinador à frente de todos os outros para um treinador incapaz de perceber o que quer que seja. A explicação para a ausência de Hazard no 11 inicial é mais uma prova disso.
«Deixei Hazard de fora porque estávamos a conceder muitos golos. Precisamos de maior estabilidade e esforço para conseguir que a equipa se torne mais sólida»
Mourinho chegou a uma altura da sua carreira em que acha que deixar o melhor jogador de fora é o melhor para a sua equipa. Chegou a uma altura em que considera que a sua equipa defende melhor apenas porque troca um extremo por outro. Chegou a uma altura em que tudo o que diz é um autêntico atentado ao futebol moderno, futebol esse que teve em Mourinho a sua principal figura, há uns anos atrás.

Os comportamentos ofensivos já eram banais, e agora, nem defensivamente o Chelsea consegue apresentar algo de qualidade. Uma equipa sempre à espera do erro do adversário, numa zona incrivelmente passiva. Uma organização defensiva que por vezes mais parece um concurso de dança de tantos pares que há. Uma distância tão grande entre sectores que dá a ideia que os defesas não gostam dos médios, e os médios não gostam dos avançados. 

Como é que o Chelsea pode melhorar colectivamente se nem o próprio treinador tem noção das debilidades colectivas de sua equipa? Como é que o Chelsea pode melhorar a sua qualidade de jogo se para o seu treinador, tudo são erros individuais? O Chelsea neste momento é uma equipa mediana em todos os momentos do jogo, e o grande culpado não é o Hazard, nem o Matic nem nenhum dos vários jogadores culpabilizados jogo após jogo. O maior culpado é mesmo o seu treinador. 

9 de out de 2015

Organização defensiva: para onde olhar?

Para onde olhar, quando queremos ver se uma equipa tem comportamentos defensivos de qualidade? Obviamente que o defender com qualidade varia de treinador para treinador, no entanto, há comportamentos que garantem mais sucesso que outros. 

Largura - Proximidade entre os elementos de cada sector, em largura. A ocupação de apenas dois corredores (caso a bola se encontre num dos corredores laterais) permite à equipa em organização defensiva mais concentração de jogadores perto da zona da bola. Menos espaço para o adversário penetrar. 
Lateral esquerdo a fechar dentro, diminuindo o espaço entre os elementos da linha defensiva. Médios próximos entre si. Ocupação de apenas 2 corredores, aumentando a concentração de jogadores perto da zona da bola (imagem retirada do blog Lateral Esquerdo)
Bola no corredor central, elementos da linha defensiva próximos, no corredor central
Espaço entre-linhas- O espaço entre-linhas é outro aspecto fundamental para se perceber se uma equipa tem ou não comportamentos defensivos de qualidade. Caso os tenha, deve retirar ao adversário o maior espaço possível para que este tenha mais dificuldades em jogar dentro do seu bloco.
Linha defensiva e linha média muito próximas, não permitindo ao adversário circular a bola dentro do seu bloco defensivo
Controlo da profundidade por parte da linha defensiva e do GR- Fundamental, principalmente para as equipas que defendem num bloco médio/alto. O espaço entre o GR e a linha defensiva é muito pelo que, tanto o GR como a linha defensiva, têm de ter posicionamentos/comportamentos que não permitam ao adversário explora-lo facilmente. 
Portador da bola sem contenção, a linha defensiva baixa uns metros para controlar o espaço nas suas costas. Portador da bola, de costas, linha defensiva volta a subir para diminuir o espaço entre sectores
GR fora da grande área, de modo a diminuir o espaço entre ele e a sua linha defensiva. Assim está mais perto de interceptar uma bola que seja colocada nas costas da linha defensiva
Coordenação- Principalmente na linha defensiva, é fundamental que todos os seus elementos funcionem como um tudo.
Coordenação entre os elementos, principalmente os da linha defensiva
De uma maneira superficial, são estes os comportamentos que caracterizam uma organização defensiva. É para eles que devemos olhar para percebermos se uma equipa está ou não a defender bem. Obviamente que dentro destas princípios, há sub-princípios mais específicos, que diferenciam as equipas boas, das muito boas e das excelentes, em organização defensiva.

5 de out de 2015

O Sporting de William Carvalho (actualizado, com vídeo)

Que diferença abismal entre o Sporting com e sem William Carvalho a ocupar a posição 6. Não é que seja surpresa esta diferença, uma vez que toda a gente já percebeu a qualidade de William, mas não deixa de ser assinalável que depois de vários meses sem competir, já apresente este nível exibicional. Com William em campo, o Sporting ganha em tudo. Na construção, na criação e na circulação.

Construção- Maior capacidade para sair com a bola controlada mesmo que o adversário pressione de forma mais agressiva; Maior qualidade no passe na 1ª fase de construção. Com William em campo o Sporting ganha mais capacidade de sair de forma apoiada desde as zonas mais recuadas. 

Criação- A facilidade com que coloca a bola jogável entre linhas melhora e muito a fase de criação do Sporting. Os seus passes verticais serão sempre uma das maiores armas ofensivas. Sejam passes curtos ou longos, William tem a capacidade técnica de executar quase tudo o que idealiza.

Circulação- Mais qualidade e segurança na circulação de bola. A elevada % de acerto no passe torna-o um dos jogadores mais importantes na circulação da bola. Com William em campo, há um Sporting muito mais capaz de manter a bola em seu poder, porque o seu médio de cobertura é um porto de abrigo. 

Apesar de não ter sido um jogo muito exigente do ponto de vista defensivo, não é arriscado afirmar que com William em campo o Sporting será também mais forte sem bola. E aqui entra o trabalho tático que o treinador irá desenvolver com o jogador. Certamente que no decorrer da época iremos ter a percepção que William vai ficando um médio defensivo cada vez mais completo do ponte de vista defensivo. Mais agressivo na contenção, mais rápido (mentalmente) na hora de realizar as coberturas defensivas. 

2 de out de 2015

Rúben Neves: É possível não gostar?

Foi uma das melhores coisas que Lopetegui já fez ao serviço do Porto: lançar Rúben Neves. A qualidade do jovem médio portista não deixa ninguém indiferente. Com apenas 18 anos de idade revela uma maturidade incrível dentro de campo, mostrando a cada lance que é um jogador com um futuro brilhante. Mais médio-defensivo do que médio interior, Rúben Neves tem demonstrado em campo, que mais importante do que a idade é a qualidade. Mostra a cada jogo que faz que para se realizarem exibições de qualidade não são precisos passes "vistosos" ou dribles desconcertantes mas sim oferecer à equipa o que ela precisa a cada momento de jogo.


Decorre*
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