29 de dez de 2016

1 minutinho de Jonas em campo



Estilo de jogo e as características dos jogadores


O estilo de jogo do Barcelona não é possível em todos os clubes, porque depende dos jogadores que tens.

Klopp a explicar algo que muita gente parece não conseguir perceber. O modelo de jogo depende sempre das características dos jogadores. Por muito boas que sejam as ideias de Guardiola (e são!), nunca vamos ver uma equipa tão forte a jogar em espaços curtos como o seu Barcelona jogava. A não ser que Messi, Iniesta, Xavi e Busquets se transfiram todos para o City. Pode o City evoluir muito? Claro que pode! Mas nunca chegará ao nível do Barcelona de Guardiola, porque serão sempre os jogadores a por em prática as ideias do treinador, e como aqueles não há. 

Ser treinador

Como treinador, desde o primeiro dia que quis procurar soluções para os meus jogadores quando tivessem a bola. Não quero que façam as coisas só porque eu digo, quero que as percebam, que compreendam qual a utilidade de algo que fazemos, defensiva ou ofensivamente. Porque se perceberem, tenho a certeza de que as vão fazer com mais convicção e aprender melhor. 

Nas palavras de Conte, bem explicada qual a responsabilidade de um treinador. Dar soluções aos seus jogadores. Dar-lhes condições para que sejam bem sucedidos dentro de campo. É isto o trabalho do treinador. Os posicionamentos, a orientação das linhas de passe ao portador da bola, a ideia de jogo que engloba tudo isto, etc etc.


28 de dez de 2016

Filipe Chaby

Não há desporto mais apaixonante que o futebol. Mas também não há desporto onde o desperdicio de talento seja tão grande como no futebol. E a justificação para o não aproveitamento de jogadores talentosos anda sempre à volta do mesmo: "falta-lhe intensidade", "são pequenos", "não defendem", "não aguentam o choque" e mais um conjunto de imbecilidades que nos fazem questionar de que desporto estaremos a falar. 

Um dos maiores exemplos do que estou a falar é Filipe Chaby. É incrível como aos 23 anos anda pela 2ª divisão, sem ter tido oportunidades na principal escalão do futebol português. Os vídeos que se seguem são apenas pequenos exemplos daquilo que Chaby é capaz de fazer em campo. 



Qualidade técnica, inteligência, conhecimento do jogo, criatividade. Filipe Chaby é um dos médios portugueses mais geniais. A inteligência com que temporiza permite-nos perceber perante que tipo de jogador estamos. Sabe na perfeição aquilo que cada lance pede. Seja um passe simples para o lado ou para trás, seja um passe vertical que tira vários adversários do lance ou uma variação do centro de jogo, Chaby decide sempre pelo que aproxima mais a equipa do sucesso. 

Tanto futebol que Filipe Chaby tem nos seus pés e principalmente na sua cabeça. Porque é que isto não chega para jogar numa primeira divisão, num clube com maiores ambições? 

19 de dez de 2016

Dries Mertens

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Mertens sempre foi um jogador extraordinário, mas a sua adaptação à posição de falso 9 está até a exceder as minhas expectativas. Realizou um jogo simplesmente inacreditável com o Torino, e tal nem se deve tanto aos quatro golos que marcou. A sua genialidade nota-se em cada ação, em cada passe para o local exato(basta ver a intervenção dele no golo que não marcou) e mesmo em algumas ações que por algum motivo não saem. Foi claramente a figura de mais um jogo espetacular do Nápoles de Sarri, que tem praticado ultimamente, a meu ver e a uma distância considerável dos demais, o melhor futebol da Europa.

Todas as ações, com bola, de Mertens no jogo


PS: Infelizmente o vídeo está bastante rápido, mas creio que isso não dificulta muito a sua visualização.

14 de dez de 2016

Futebol, um jogo de ilusões

Futebol, o jogo visto por milhões e analisado por milhares. Um jogo que cria um espectro inacreditável de sensações em quase todos os que o veem, desde o êxtase pelo golo que a nossa equipa marcou aos 90+5 e que nos deu a vitória, ao desalento absoluto que sente alguém que viu exatamente esse jogo, mas torcendo pela equipa contrária; passando por todo um conjunto de emoções intermédias. No entanto, toda esta paixão e até irracionalidade inerente ao jogo esconde toda uma outra vertente. Vertente essa que, para choque de muitos é… o jogo em si. Parece paradoxal algo aparentemente tão acessível às massas, sobre o qual todos acham que têm opinião, ser na realidade algo tão complexo, mas é o caso. É o desporto com mais variáveis e menos constrangimentos (limitações do tempo de posse, por exemplo), e com uma exigência em termos cognitivos e físicos (indissociáveis uma da outra, claro) sem paralelo.

Esta ilusão - mais concretamente a de que o jogo, por ser aparentemente tão acessível a todos e tão popular, não tem grande complexidade - afeta uma percentagem apreciável dos que o veem. Pelo que o ponto central de este post, que vou defender abaixo, não deixa de ser ligeiramente irónico. E essa ironia reside em, apesar de muita gente estar iludida sobre o jogo em si por se deixar inebriar por muitas coisas que quase parecem indissociáveis dele, como por exemplo ser fanático por um clube ou deixar-se levar pelos chavões criados por uma análise simplista do jogo, o próprio jogo, ser, em si, um jogo de ilusões.

O tal ponto central do post reside nesta última parte, e, por isso, importa ser bem defendido. Como ponto de partida, achei por bem citar um excerto muito interessante de uma entrevista de Juanma Lillo ao jornal argentino La Nación:

"(…) Y confundimos "posibilidad" con "probabilidad". Si pones un esquema con todos atrás y Dios sólo adelante, la posibilidad dice que puedes ganar, claro que puedes. Pero se supone que uno extrema medidas para aumentar la probabilidad. Pero se trabaja en la posibilidad. (…) El reglamento -dice sin decir- que para aumentar el índice de probabilidades de ganar hay que dejar a un jugador con la posesión, el tiempo y el espacio, de frente al arco contrario. Y lograr que un jugador patee lo más cerca y lo más libre posible. Ahora: ¿hago algo para que eso se dé? ¿O al final vamos a rezar?"

Lillo expressa uma ideia extremamente interessante, que ao princípio parece completamente contra-intuitiva mas que, na realidade, é acertadíssima - que é a de que o melhor livro alguma vez escrito sobre o jogo é o seu regulamento, e que este nos diz quais as formas que nos permitem ter uma maior probabilidade (e não possibilidade, conceitos que, aliás, distingue habilmente) de vencer. Ou seja, que das regras do jogo facilmente se pode deduzir que enquadrar jogadores para a linha defensiva contrária, com tempo e espaço, aumenta a probabilidade de sucesso da equipa num lance, bem como deixar um jogador o mais perto possível da baliza, sem adversários e, acrescento eu, com o apoio de colegas; aumenta a probabilidade do sucesso nesse momento de finalização.

Deixo aqui uma nota intermédia para dizer que, apesar de este post se ir focar completamente na equipa que tem a bola, também é possível falar do conceito de ilusão para quem não a tem, nomeadamente na utilização de algo que é comummente designado de “pressing traps” (um bom exemplo aqui).

Continuando, a pertinência da citação reside na ideia de que, tal como Lillo consegue deduzir estes aspectos do regulamento, também poderia deduzir, a meu ver, tanto do regulamento como até das conclusões que tirou, a ideia de este ser um jogo de ilusões. Como referido acima, aumentar a probabilidade de sucesso reside em aspetos como deixar os colegas na melhor situação possível para finalizar ou em criar os melhores espaços para a equipa entrar. Se a equipa jogasse apenas contra si mesma isto seria relativamente simples, mas qualquer jogo de futebol envolve duas equipas distintas, que procuram superar-se uma à outra (algo que, mais uma vez, se pode retirar do regulamento do jogo). Isto cria vários constrangimentos, e acima de tudo leva a que a criação dessas situações ótimas, que aumentam a probabilidade do sucesso, seja bastante mais complicada. Uma abordagem mais linear ao jogo ofensivo, que é a praticada pela clara maioria dos treinadores, acaba por entrar em contradição com estas ideias. Isto porque, se uma equipa procurar seguir em frente o mais rápido possível em todas as situações, em consonância com essa tal linearidade, será muito mais fácil para o adversário tapar-lhe os caminhos mais interessantes, condenando-a a acelerar pelos que a afastam mais das tais situações vantajosas, muitas vezes acabando “estrangulada” em direção à linha lateral, sem grandes possibilidades coletivas de lá sair visto que a sua intenção era acabar o ataque logo de qualquer maneira.

Entrámos numa encruzilhada, parece. Se temos um adversário, que em princípio estará organizado de forma a tirar-nos esses caminhos que nos levam a uma probabilidade elevada de sucesso (na prática, o foco de quem não tem a bola muitas vezes não é bem esse, mas isso é toda uma outra análise que não é para este post), como fazemos para os alcançar? É aqui, exatamente, que entra o tal conceito de ilusão. Estes constrangimentos levam a que a única ou, pelo menos, a melhor forma de alcançar as situações de probabilidade de sucesso elevada a que uma equipa se deve propor seja a criação desses caminhos através da ilusão.

Este conceito está intimamente relacionado com o de criatividade coletiva, ou seja, saber usar a bola para manipular o adversário, levando-o para onde se quer e, depois de iludido, aproveitar o espaço que se criou e que aumenta mais a probabilidade de sucesso. Uma equipa criativa coletivamente é uma equipa que procura caminhos não-lineares, porque sabe que são esses caminhos que lhe vão permitir criar os melhores espaços. É uma equipa que sabe, por exemplo, levar a bola ao corredor lateral não com vista a cruzar ou a concluir a jogada por lá (embora o possa e até deva fazer se a situação em que se encontra for claramente favorável a isso), mas sim a atrair o adversário para esse espaço e tirá-lo de espaços mais valiosos, que depois está preparada coletivamente para aproveitar. É, até, uma equipa que não se importa em trocar a bola de forma aparentemente pouco objetiva entre jogadores adversários, já que mesmo parecendo não estar a procurar a baliza no imediato, está a propiciar constantes desposicionamentos e reajustes no adversário, que jogarão com as expetativas deles e, acima de tudo, os distrairão do que a equipa que tem a bola sempre procurou, que era o melhor espaço para entrar, aquele que, no fundo, cria a maior probabilidade de sucesso. No fundo, é uma equipa que sabe que a ilusão, tendo em conta o jogo em si e o seu regulamento, é o melhor caminho para encontrar os espaços que quer.

PS: Numa tentativa, provavelmente vã, por parte do Honoris de subir ligeiramente a média atual de posts do blog, que deve rondar o post bimestral, fui convidado a discorrer aqui. Como já disse ao chefe aqui do tasco, a regularidade e até profundidade do que para aqui escrever vai depender muito do tempo que for tendo, que é bastante volátil. Ou seja, em alguns períodos até posso escrever aqui bastante (embora vá tentar que não sejam paredes de texto tão grandes como esta), como noutros, possivelmente a maioria, manterei a periodicidade atual de posts do blog (ou seja, para ai um post por mês com 30 dias).

6 de dez de 2016

João Carvalho & João Félix, quando a inteligência se junta à qualidade técnica

É deste tipo de jogadores que a liga portuguesa precisa. Jogadores cheios de qualidade técnica, de criatividade, de inteligência. Só precisam, quando chegarem à 1ª divisão, de treinadores que escolham os jogadores pelo seu talento e não pela sua altura, força, etc, porque o realmente é preciso, eles já têm e em doses grandes. A maneira como se relacionam em campo, como percebem o que os rodeia, como temporizam, como executam, não engana ninguém. João Carvalho de 19 anos e João Félix de 17 anos, Craques da cabeça aos pés.

Qualidade técnica de João Carvalho, no seu estado mais puro
Carvalho, recebe no corredor central, cabeça levantada para perceber o espaço e o posicionamento dos colegas. Félix, recebe na ala o passe de Carvalho, conduz, temporiza, solta.
A calma com que Félix joga. Com 17 anos já sabe tanto. Não complica, percebe o que rodeia, e decide em função disso.
Félix e Carvalho. A utilização do apoio frontal para bater a contenção. 
Carvalho, passe e movimenta-se para dar linha de passe. Lance do pénalti. 
Um simples toque de calcanhar, a deixar o colega enquadrado e com tempo e espaço para colocar na direita. Já dentro da área, Félix a utilizar a sua qualidade técnica para arranjar condições para o remate.
Excelente execução no 1º golo do Benfica, marcado por Félix,
Mais do que a qualidade técnica demonstrada no passe, a criatividade e visão de jogo de Carvalho. A descobrir uma solução que muitos jogadores nem sequer sonhavam existir. 


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