16 de set de 2017

De Alvalade para o Mundo - O Paradoxo da Falta de Espaço


Nos posts que já fiz aqui, sempre me agradou abordar a forma como o jogo é visto, tanto por adeptos como pelas pessoas com real poder de decisão (treinadores, dirigentes, etc.). Por motivos já referidos (nomeadamente aqui), a irracionalidade é algo complicada de dissociar da análise que boa parte das pessoas faz do jogo em si, incluindo parte significativa dos tais agentes decisores, e este post servirá para falar das consequências negativas dessa irracionalidade para um certo perfil de jogadores, definido (a bold, para se ver bem) no parágrafo seguinte, e para expor os problemas de uma conclusão que se tira da evolução do jogo moderno, que é o tal paradoxo que está no título do post...

Este primeiro parágrafo parece - e, por si só, é mesmo - um pouco confuso, mas acompanhem-me. Este post vai procurar, de forma relativamente profunda, analisar os problemas a que, cada vez mais, são sujeitos os jogadores cujos únicos atributos especiais são a sua capacidade de raciocínio em espaços curtos, criatividade, competência para temporizar em busca da melhor solução caso necessário (ou seja, a competência cognitiva do jogador) e a capacidade técnica para que esses atributos se possam mostrar, e defender a necessidade de valorizar esses jogadores no futebol moderno. É esse, e apenas esse, o objectivo do post, e é nesse sentido que toda a análise caminhará.

Para a análise, e daí a primeira parte do título, vou partir de um case study, que é nem mais nem menos que o Sporting. Ressalvando, desde já, que me refiro ao Sporting no contexto dos últimos 20 anos, e não apenas à actualidade, na qual, apesar de tudo, o clube tem melhorado significativamente na maioria dos sentidos e voltou, finalmente, a ser um clube competitivo. Ainda assim, continua a cometer com bastante frequência os erros que aqui vão ser expostos. Adiante, escolhi o Sporting por dois motivos. Em primeiro lugar, é de longe o clube sobre o qual tenho maior conhecimento no que diz respeito aos tais comportamentos dos agentes, tanto adeptos como dirigentes, já que eu próprio sou adepto do clube e tenho lugar cativo no estádio há já alguns anos. E, para além disso, é um clube que tem personificado de forma clara o problema de que irei falar... Mas como é perceptível pelo título, não quero aqui, de todo, dizer que isto é um problema específico do Sporting. Poderia ter facilmente escolhido outro clube, tanto nacional como internacional, já que não são muitas as excepções que fogem a este problema (o Barcelona será a mais flagrante), mas pelos motivos acima sinto-me mais capaz de comentar com alguma propriedade o caso do clube leonino.

Ao longo dos anos, uma série de jogadores que se encaixam na descrição a bold - a qual é preciso ter sempre em mente na leitura deste post - foram desperdiçados pelo clube. Jogadores como Bryan Ruiz, Fredy Montero (depois da fase goleadora), Matías Fernández e Leandro Romagnoli, por exemplo tiveram todos começos relativamente interessantes no clube, mas, e embora por diferentes motivos, todos acabaram por finalizar as suas carreiras no clube de forma relativamente inglória. De onde vieram estes quatro exemplos há mais, mas parecem-me suficientes para podermos começar a pensar numa tendência, que importa perceber. Mas a que se deverão estes problemas do clube, embora com excepções claro (João Mário, por exemplo) em aproveitar este tipo de jogadores, tanto quando os compra como quando vêm da formação? A meu ver, podemos falar de três factores, mas como o terceiro merecerá uma análise mais profunda no final do post vamos por agora falar de dois: os adeptos (nomeadamente os que vão ao estádio) e os treinadores que têm passado pelo clube.

Começando pelo mais controverso, os adeptos. Parecerá absurdo, já que falamos de clubes profissionais, dizer que os adeptos podem "escolher" os jogadores que jogam. E obviamente que não o fazem, pelo menos directamente. Mas é, no mínimo, ingénuo, ignorar a influência que todo um estádio pode ter nos pequenos pormenores que se passam em campo. Um ambiente de um estádio pode perfeitamente influenciar vários detalhes da forma como a equipa joga, nomeadamente na sua tolerância/falta dela a certo tipo de acções. Dando o exemplo de Alvalade, que é o que conheço bem, é extremamente frequente qualquer acção que envolva alguma temporização ou calma ser criticada ou mesmo assobiada por vários adeptos. Na senda da tal irracionalidade referida acima, o Sporting quando, por exemplo, tenta gerir uma vantagem curta com bola, perto do final do jogo, não tem só de enfrentar os 11 jogadores adversários. Tem também, normalmente (depende também do contexto mais geral em que a equipa se encontre, claro), de manter o sangue frio perante um estádio com boa parte dos 40 mil adeptos do próprio clube exaltados e a tentarem, a todo o custo, que a equipa ataque rapidamente a baliza adversária, assobiando qualquer acção que não vise directamente esse sentido. É um público que, como a maioria dos públicos de futebol na verdade, aplaude o esforço, a dedicação e as decisões rectilíneas, mas com pouca paciência para os jogadores que não têm pruridos em segurar a bola quando é caso disso, sem o fazerem caminhando em direcção à linha para cruzar ou para ganharem no drible em qualquer zona, mas sim de forma aparentemente inconsequente, mas verdadeiramente interessante, visto ser na procura de melhores soluções (mais sobre o assunto aqui). Nenhum dos jogadores referidos acima agradou propriamente ao "tribunal" de Alvalade, e até temos exemplo como o de Carrillo (antes da questão extra-jogo que surgiu), que sendo um jogador que tendo até mais características especiais que as assinaladas a bold (post sobre ele aqui) - habilidade enorme no 1x1 e fisicamente fortíssimo - foi constantemente assobiado pelo público de Alvalade exactamente por ter um perfil de decisão que se aproxima, de certo modo, do dos jogadores referidos acima. Como é óbvio, há jogadores com atributos destes que são aclamados no estádio, da mesma forma que os próprios jogadores referidos acima também o foram em certos momentos - daí a tal irracionalidade de que se fala, tão comum no adepto de futebol - , mas quase sempre devido a motivos circunstanciais e que têm pouco que ver com as tais capacidades intelectuais dos jogadores (a fase em que Montero marcava imenso, por exemplo), e isso acaba por complicar a vida daqueles que pouco têm para apresentar para além do que grande parte dos adeptos ignora ou até detesta...

Passemos agora aos treinadores. Aqui, quando me refiro a treinadores, não falo propriamente da qualidade deles. Ou melhor, pelo menos no caso dos treinadores que o clube teve com Bruno de Carvalho na presidência, que em grande parte dos anteriores treinadores a qualidade escasseava imenso... Olhando por exemplo a Jorge Jesus, é indubitavelmente um treinador competentíssimo, que monta equipas bastante organizadas em todos os momentos do jogo, especialmente os defensivos, e isso não poderá ser posto em causa. No entanto, é um treinador que costuma ter problemas com jogadores do perfil referido. Apostou em João Mário, Bryan Ruiz (embora o tenha dispensado esta época) e mesmo nos incríveis Aimar e Saviola (que também acabou por ser descartado), sim, mas quando são jogadores de menor estatuto notam-se claramente os preconceitos do treinador para com esse tipo de jogador (Bernardo Silva, Francisco Geraldes e Ryan Gauld são jogadores que vêm à cabeça). E falamos aqui de um treinador, como já foi dito, bastante competente, e que até foi capaz de não ignorar alguns casos. Dou aqui exemplos recentes, que estão mais frescos na memória das pessoas, mas este tipo de desperdício, como foi salientado inicialmente, está muito longe de ser uma coisa recente. Pelo contrário! Há uma tendência dos treinadores do Sporting em preferirem o jogador mais forte e desinibido ao mais esclarecido, que a meu ver é um factor que contribui bastante para o insucesso do clube no século XXI...

Basicamente, os tais dois aspectos referidos constituem as pessoas que vêem o jogo e que possuem alguma influência no mesmo, tanto directa (treinadores e, embora não referidos, dirigentes) como indirecta (os adeptos, especialmente os que vão ao estádio). A forma como se vê, de uma forma geral, o jogo de futebol, prejudica enormemente este tipo de jogadores, visto que passa por cima do que eles têm para mostrar, e é importante combater esta mentalidade relativamente generalizada, sob pena de perdermos cada vez mais talentos e "ganharmos" jogadores com todas as competências físicas do mundo mas com pouco talento para tudo o que envolve o jogo. É que os jogadores que juntam às tais competências a que este post se refere outras que são vistas como verdadeiramente relevantes pela maioria vão (quase) sempre ter sucesso, mas há que perceber que esses são os casos especiais, os outliers. Que se continuarmos a priorizar os mais fortes ou até os mais habilidosos no 1x1/explosivos sem o saberem aplicar ao jogo propriamente dito em detrimento do tipo de jogador para que este post remete, vamos continuar a ter outliers, sim, mas cada vez menos jogadores verdadeiramente competentes e que dominam verdadeiramente o jogo que estão a jogar, e cada vez mais "atletas com bola".

Mas falta o tal terceiro aspecto, ao qual já se aludiu várias vezes durante o post mas nunca se explicou exactamente. É a ele que, no fundo, a segunda parte do título diz respeito... O que é isto do "Paradoxo da Falta de Espaço"? Explicarei obviamente o que quero dizer com isto, e de que forma influencia estes jogadores...

Como podem ler no primeiro parágrafo (que talvez agora pareça mais inteligível), isto, a meu ver, afecta estes jogadores sob a forma de uma externalidade (embora, como disse acima, a palavra externalidade possa não ser a melhor). Ou seja, é da interpretação que se faz do facto, e não do facto em si... Concretizando, é relativamente consensual que o futebol europeu (que é o mais relevante, claramente) está cada vez mais evoluído tacticamente, quando não se tem a bola. As equipas cada vez mais procuram ser compactas no momento defensivo, havendo assim muito menos espaço para o adversário jogar, e esta evolução requer de todos os jogadores da equipa bastante trabalho defensivo, quando em outras épocas era comum deixar os jogadores mais ofensivos quase a "descansar" na frente. E que, para isso, é necessário ter jogadores capazes de cumprir da melhor forma com essas exigências, tendo para isso de ser fisicamente muito fortes e, com bola, extremamente rápidos a fazer tudo, exactamente pela ausência desse espaço. De facto, o futebol europeu está mais evoluído tacticamente e, por isso, as equipas são mais competentes a restringir espaços ao oponente. O tal paradoxo não está, obviamente, aí. O problema é extrair-se, como a maioria faz, que para jogar neste futebol de maior organização e compactidade (aspectos positivos, atenção!) é necessário ter os jogadores mais fortes e rápidos a executar. Pensa-se que, por se ter evoluído num ponto de vista defensivo em termos de concepção geral do jogo, é preciso pensar sempre segundo esse raciocínio "defensivo". Logo, temos de ter os que melhor cumprem fisicamente com a ideia, sem bola, e que mais fortes, rápidos a executar e com drible, com ela, não havendo assim lugar para aqueles que, não sendo tão fortes ou tão rápidos de pernas, interpretam tudo antes dos demais e que sabem manipular esse tipo de organizações . Mas este último ponto é errado. Fazendo uma analogia, o futebol (sob a forma de cada vez mais equipas europeias) actual está a construir uma parede cada vez mais sólida, e as equipas acham que a melhor forma de a derrubar é à cabeçada, em vez de se procurar criar fendas em zonas estratégicas por forma a, no momento certo, a podermos fazer colapsar sobre si própria... O jogador franzino, não muito rápido e criativo tem lugar na chamada "era da organização", sim! Aliás, até deve assumir um papel mais preponderante, visto que os problemas que os ataques têm de resolver são, no geral, mais complexos. E quem melhor para resolver problemas complexos que um Pastore, um Bryan Ruiz ou, quando jogava, um Riquelme? Bem, haver melhor há... há Messi, e eventualmente outros que encaixam nos tais outliers. Mas se compararmos com os tais "atletas com bola" que proliferam no futebol actual, percebemos que muito mais facilmente um Pastore desmonta, inserido numa boa equipa, um bloco bem organizado que um Cuadrado. O Paradoxo da Falta de Espaço é, no fundo, achar-se que por o espaço para jogar ser cada vez menor, se deve valorizar quem fisicamente está mais apto para correr muito e aguentar o choque (já que há mais adversários perto), e não quem... descobre melhores soluções nessa mesma falta de espaço.

Em Alvalade tem-se feito muita coisa bem nos últimos anos, e o clube está cada vez mais perto de títulos, mas não nos enganemos, este desprezo que ainda existe a este tipo de jogador prejudica mais o clube do que o beneficia. E no Mundo, corremos o risco de ter cada vez menos jogadores deste género, incapazes de deslumbrar regularmente o adepto comum mas capazes de impulsionar uma verdadeira revolução ofensiva generalizada em termos tácticos, como resposta à que ocorreu em termos defensivos. E seria uma pena...

PS: Nunca é demais ressalvar este ponto: obviamente, é possível um clube não dar a atenção devida a este tipo de jogador e, não só ter sucesso como até jogar um futebol interessante. Não se pretende aqui dizer que é completamente ilógico preferir outro perfil de jogador, mas sim que, embora se possam perceber os motivos, ignorar este tipo de jogador é prejudicial pelos motivos aqui expostos...

PS2: Numa eventual discussão futura do post (nos comentários), pedia que se focassem mais nas ideias que aqui são transmitidas, rebatendo o que não concordam, do que propriamente nos jogadores que foram sendo dados como exemplo, que são mesmo só isso, exemplos, que servem apenas e só para tentar ilustrar essa ideia. Só digo isto para ver se a caixa de comentários não tem gente a dizer "Ah, mas o Bryan Ruíz é péssimo!!!" ou coisas do género.

5 de set de 2017

“Se Queda!”. Ou a posição “6” do Sporting


Parecia iminente a saída de William Carvalho do Sporting. De início, todos os rumores apontavam para terras britânicas, e mais especificamente a Premier League. Entretanto, outros rumores foram surgindo, com propostas vindas de Espanha e França. A certa altura, o West Ham assumiu-se como o principal candidato à sua contratação – numa “novela” que muita tinta fez (e ainda faz) correr na imprensa – e parecia relativamente seguro afirmar-se que, após várias épocas de especulação e muitos rumores depois, o “14” de Alvalade se preparava para dar o salto competitivo que a sua qualidade há muito justifica.

Parecia...mas ainda não foi desta. Mantém-se assim por terras lusitanas o melhor médio defensivo da liga portuguesa nos tempos mais recentes (desde que Nemanja Matic partiu, também ele, para Inglaterra), um dos melhores jogadores da liga e, provavelmente, o melhor médio a vestir as cores dos “leões” desde o mágico Pedro Barbosa. É também – como provavelmente se consegue depreender da tendência inicial deste artigo – a manutenção daquele que se entende ser o melhor jogador do Sporting.

Um dos capitães de equipa (possivelmente “O” capitão, caso se confirme a transferência de Adrien Silva para o Leicester), é um jogador “da casa” e é peça fundamental do conjunto leonino há já quatro épocas. A dupla que forma com Adrien tem sido o principal ponto de estabilidade do futebol do Sporting nas últimas temporadas, e na sua melhor forma, contam-se pelos dedos os médios defensivos que oferecem maior qualidade ao jogo. É um jogador com estirpe de topo mundial - talvez o único em todo o plantel leonino – e está plenamente adaptado ao clube e ao modelo de jogo actual.

Porque é William tão bom?

Há, frequentemente, uma percepção errada do perfil de jogador que é William. Tradicionalmente, construíram-se no futebol dois estereótipos que ele destrói sempre que entra em campo. O primeiro é relativo à sua morfologia. Com quase 1,90m de altura e de origem luso-angolana, facilmente se tentaria colar a alguém do seu perfil a imagem de um médio que serve essencialmente para destruir jogo, e que não é muito capaz com a bola nos pés.

Nada mais falso. William afasta-se quase radicalmente dessa imagem, e é com bola que mais brilha. Tecnicamente refinado, a sua capacidade para descobrir opções de passe que permitam avançar de forma sustentada no campo é especial, mesmo entre médios que tradicionalmente não seriam associados ao estereótipo acima referido. No entanto, o que mais impressiona nele (e que influencia todas as suas qualidades com bola) é a forma quase gélida como é capaz de resistir à pressão. O "14" dos leões sente-se naturalmente confortável em espaços curtos e congestionados, e a pressão adversária nunca afecta a calma e a serenidade com que pensa, decide e executa. Recebe, sempre de cabeça levantada, procura a melhor solução e define. E quando a solução não surge de imediato, é também perito a temporizar e a fazer a bola circular, até que estejam criadas as condições para o desequilíbrio. A partir da posição 6, gere a equipa quando esta se encontra em momentos de organização ofensiva, e liga-a com maior qualidade em todos os momentos com bola. Uma característica genética e rara, que o distingue de muitos outros bons médios.

O segundo estereótipo é o de que o médio defensivo está lá, principalmente, para defender, e que para tal tem de estar constantemente na zona da bola, de forma a poder desarmar o portador da mesma e travar os ataques adversários. Sim, é verdade que, com William no lugar de Battaglia (e com a saída de Adrien), a equipa provavelmente perderá alguma solidez defensiva nos momentos de transição ataque-defesa, bem como alguma capacidade de sucesso nos duelos individuais e nas bolas divididas. No caso específico da posição “6”, no entanto, isso não se deve a uma menor qualidade defensiva de William no geral, mas antes à natureza mais impulsiva de Battaglia e Adrien, que cobrem um maior raio de acção e, consequentemente, disputam (e ganham) um maior número de duelos. 

É sobretudo nas qualidades cognitivas que residem as maiores valias de William. Um "6" que defende de forma diferente. Pela forma como procura recuperar a bola em vez de "cortá-la", é um médio que já está preocupado com a qualidade da sua equipa com bola, mesmo quando esta ainda não a tem. Pode-se afirmar, por outras palavras, que defende de uma forma moderna, procurando antecipar e influenciar acções adversárias através do seu posicionamento e da sua postura (sendo um jogador quase exemplar nos aspectos mais técnicos, como a correcta colocação dos apoios, por exemplo), e que dessa forma consegue forçar vários erros que permitem a recuperação da bola. 

Não raras vezes, a forma como William se move dentro do campo é alvo de crítica e até chacota, e as acusações à sua velocidade de deslocamento são já clássicas. No entanto, nas velocidades que mais influenciam o jogo - a de execução e a de raciocínio -, William é um jogador bastante veloz.

Para além de William

Face à tremenda qualidade que possui, é natural que a diferença entre William e as restantes opções para a posição “6” seja qualitativamente significativa. João Palhinha é ainda um jovem sem a qualidade necessária para assumir a posição, sendo até possível que coleccione alguns minutos na equipa B e que volte a ser cedido a um clube da primeira liga em Janeiro, para jogar com regularidade. Já Radosav Petrovic encaixa no perfil estabelecido por William ao longo das últimas temporadas. O sérvio é um médio com a serenidade e compostura com bola que se exigem para o lugar. No entanto, defensivamente apresenta-se muito pouco intenso, e mesmo em termos posicionais não prima pela excelência. Noutro contexto, até poderia ser uma boa alternativa a um titular da posição, mas esse não parece ser o caminho escolhido pelo treinador. Ambos os jogadores deverão ser carta fora do baralho na maioria das partidas, embora Petrovic até possa ter alguma utilidade, sobretudo nos jogos teoricamente mais acessíveis e disputados em Alvalade.

Depois, há Rodrigo Battaglia, que foi até agora a escolha de Jorge Jesus para o lugar. O argentino possui a capacidade física e atlética que o treinador do Sporting tanto aprecia, e adiciona-lhe algumas qualidades técnicas, nomeadamente ao nível do transporte de bola. Por outro lado, é mais uma adaptação ao lugar, pois jogou os últimos anos da sua carreira como “box-to-box” (com alguma qualidade, refira-se), sendo que todas as suas características com bola apontam também para esse papel dentro do terreno de jogo. Possui limitações claras em termos cognitivos – principalmente ao nível da correcta percepção e gestão do ritmo do jogo, que depois influencia negativamente a sua tomada de decisão – e apesar da capacidade de transporte, o facto de se decidir muitas vezes por uma má opção (ou de nem sequer conseguir identificar propriamente as opções à sua disposição em cada jogada) faz com que a sua capacidade de ligar sectores e corredores seja mediana, na melhor das hipóteses.


Perante este cenário – e apesar da perceptível vontade do jogador em rumar a outros campeonatos, mais competitivos –, é inegável que a manutenção de William Carvalho é uma excelente notícia para Jorge Jesus e para o Sporting. Veremos agora como irá o jogador entrar na equipa actual.
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