8 de mar de 2018

Red Bull Salzburg vs Real Sociedad - A anatomia do jogo em que Dabbur brilhou

 
Como o título indica, neste post analisar-se-à o jogo que opôs o Red Bull Salzburg à Real Sociedad, para a 2ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa (o encontro da 1ª mão tinha acabado empatado a duas bolas). Para quem quiser ver o jogo na íntegra, é só clicar aqui.

11s iniciais

Os 11s de ambas as equipas vão ser visíveis na imagem abaixo, mas deixo a pequena adenda de que o Salzburg não jogou em 442 clássico, mas sim num 442 losango (Samassekou a 6, Yabo e Haidara a interiores e Schlager a 10)


Tendências do jogo e um aparte geral sobre superficialidade analítica

Apesar das várias diferenças entre o futebol de ambas as equipas, foi um jogo extremamente equilibrado, em que até ao período que coincidiu com a expulsão do Raúl Navas (central da Real Sociedad) e, logo a seguir, ao 2º golo do Salzburg - período esse a que vou dedicar um pequeno segmento abaixo - nenhuma das equipas conseguia ter claramente o domínio do jogo ou sequer chegar constantemente a zonas perigosas, pelo que houve um número reduzido de oportunidades de golo, especialmente em lance corrido. Após o período acima referido da expulsão + golo o jogo mudou de figura, com a Real Sociedad a partir para um jogo muito mais directo e com o Salzburg a ser mais calmo com bola, jogando bastante melhor que antes e a conseguir controlar as investidas aéreas dos bascos. Os motivos para tal equilíbrio serão abordados nos pontos seguintes, numa análise que partirá da floresta para as árvores, por assim dizer. Ou seja, primeiro falarei sobre aspectos gerais da organização das equipas para depois ir aos momentos chave do jogo.

Mas antes disso, queria fazer um aparte sobre um ponto que muitas análises superficiais adoram aflorar, que é a posse de bola. Muitas vezes a distinção entre estilos é feita entre as equipas "que têm muita posse de bola" e as que não têm, o que evidentemente não tem nuance analítica nenhuma e ignora todo um rol de diferenças em todos os sentidos entre equipas que podem e várias vezes até são agrupadas na mesma "caixa" da posse ou falta dela. Da forma como é feita a análise futebolística em muitos sítios, os números da posse de bola servem quase só para enfeitar. Apenas quando esses números representam uma diferença extrema podem permitir a retirada de uma ou outra conclusão, mas em 99% dos casos precisam de uma grande contextualização para poderem fazer sentido. Olhando para o caso deste jogo em particular, as percentagens finais da posse de bola rondaram os 50-50, mas isso tanto pode acontecer num jogo como este, num em que ambas as equipas alternem longos períodos de domínio, ou até em vários outros cenários. Este aparte no fundo é contra o tipo de análise que tenta usar estes números (falei do da posse como podia falar de outros) de forma absoluta ou, em alternativa, partir dos números e tentar explicar o que se passou estando enviesado por eles, e não o contrário (ou seja, olhar para o jogo e apenas depois ver os números - até os do resultado! - como complemento à análise do que se passou).

Dificuldades em ligar fases com bola de ambas as equipas

Este foi um jogo em que tanto o Salzburg como a Real Sociedad pretendiam sair a jogar desde o guarda-redes. No entanto, ambas as equipas revelaram algumas dificuldades em fazê-lo, visto que lhes foi complicado ligar a 1ª fase de construção às restantes de forma adequada, e, no geral, em criar situações vantajosas para os seus jogadores em zonas mais adiantadas. Os motivos, no entanto, foram bem diferentes, e vão ser aflorados abaixo.


No caso da Real Sociedad, o lance acima, sendo um daqueles em que conseguiram resistir melhor à pressão do Salzburg, mostra ainda assim algumas das dificuldades que tiveram quando conseguiram não jogar longo. Tiveram muitas dificuldades em lidar com a pressão de grande qualidade do adversário, e a estrutura posicional também não era a ideal, com os 4 jogadores da frente algo desligados do jogo nesses momentos e com uma procura excessiva dos corredores laterais. 

Apesar de serem uma equipa mais paciente com bola que o Salzburg, tiveram imensas dificuldades em transitar para fases mais adiantadas com bola de forma apoiada, e muitas vezes eram mesmo obrigados a jogar longo. Para agravar, como na maior parte das vezes em que jogaram longo foram forçados a tal, várias vezes não o faziam para a zona mais adequada (a de Agirretxe, o avançado da equipa, um jogador alto e forte a segurar a bola de costas), o que levou a recuperações mais fáceis para o Salzburg.

Estes factores levaram a que a bola não só chegasse pouco a jogadores como Januzaj, Oyarzabal e Canales, como que quando esta chegava, era normalmente em condições muito pouco aprazíveis, o que ajuda a explicar o facto de a equipa basca quase não ter criado nada digno de registo de bola corrida.


Já no caso do Salzburg, os problemas foram de natureza diferente. Até por se dispor num 442 losango, a equipa austríaca tinha uma estrutura posicional mais apta a conseguir ligar fases em construção, apesar de existir uma distância excessiva (especialmente em largura) entre o médio-defensivo e os dois interiores. No entanto, foram traídos acima de tudo por três aspectos: a falta de qualidade do central-esquerdo, Onguené; a pressa com que tentam jogar em todos os momentos com bola e a falta de alguma consciência colectiva de como aproveitar os momentos de construção para saltar linhas.

Quanto ao último ponto, vejamos o primeiro lance do vídeo que vos apresento. É um lance que inicialmente até vai contra os dois primeiros aspectos a que me refiro, já que têm a calma necessária e Onguené toma as decisões adequadas. No entanto, atentem no segundo 11 do vídeo. Todo o trabalho de Onguené e Haidara até esse período foi aparentemente inócuo, mas neste caso as aparências, de facto, iludem, já que a troca de passes entre ambos fez com que Canales, que estava ali entre o médio-defensivo e o médio-interior do Salzburg, saltasse definitivamente a cobrir a linha de passe para o médio-defensivo. Esse era o momento ideal para que o Salzburg replicasse uma dinâmica muito utilizada por equipas como o Napoli. Para isso, bastava um movimento para a frente do médio-defensivo, e que o médio-interior ao receber o passe vertical de Onguené lhe endossasse logo a bola, fazendo-o receber nas costas da pressão dos 2 avançados e orientado de frente para a baliza adversária. Ao quase nunca conseguirem orientar os médios de frente para o adversário, facilitaram muito a vida da pressão individualizada da Real Sociedad, já que saía sempre alguém a um médio que recebesse de costas, não o deixando enquadrar.

Falando de Onguené, é um central jovem mas sem muita qualidade com bola. A Real Sociedad, sabendo disso, tentava ao máximo bloquear Ramalho (o colega da defesa) e deixar Onguené construir, o que foi uma opção estratégica inteligente e que limitou a equipa da casa. No entanto, mesmo tendo isso em conta o Salzburg conseguiu sair por Ramalho algumas vezes, e foram claramente os momentos em que o fizeram com maior qualidade, como se poderá ver no vídeo abaixo:


O central brasileiro, a meu ver, só não se afirmou na Bundesliga (onde já jogou) por ter uma altura abaixo da média para um central (1m82), que é algo em que muitos treinadores se focam. Porque, aparte disso, é um central muito completo, de grande qualidade técnica, calma sob pressão e qualidade a abordar os lances sem bola. Tanto a jogar curto como mais longo, tem uma precisão notável e uma boa qualidade na decisão, que merecem muito mais que uma liga como a austríaca.

E chego agora ao que é, para mim, o maior problema da equipa austríaca: a pressa. É uma equipa muito forte sem bola, e com muitos apoios no corredor central e um futebol associativo com ela, mas a obsessão por acelerar cada ataque, seja em zonas recuadas ou adiantadas, leva-os ou a perder a paciência e a jogar directo (em zonas recuadas), ou a ignorar opções interessantes sob pena de a conclusão do lance demorar mais tempo (em zonas mais adiantadas). É algo comum às equipas da Red Bull, mas que neste Salzburg se torna mais problemático pela menor qualidade individual em relação tanto ao Leipzig como até ao Salzburg de anos anteriores. É possível que tenha sido um problema mais saliente neste jogo que nos outros - até porque já li quem dissesse que este é um Salzburg um pouco menos frenético que o de outros anos -  mas neste jogo em particular foi isso que notei. E, aliás, notou-se isso mesmo quando os austríacos tiveram mais um jogador e estavam a ganhar 2-1, período em que acalmaram ligeiramente o seu jogo com bola e com isso conseguiram circular de forma bem mais perigosa (claro que também ajudados pela situação do adversário).

Diferentes abordagens na pressão

Da forma como a Real Sociedad abordou o jogo sem bola já se falou o suficiente. De forma sucinta, o avançado (Agirretxe) preferencialmente bloqueava Ramalho, fazendo com que os austríacos saíssem por Onguené, tentavam criar algum acesso ao portador da bola e, simultâneamente, os jogadores do meio-campo e ataque pressionavam individualmente o jogador mais perto da sua posição relativa. Aliás, como é visível em alguns dos momentos dos vídeos do Salzburg com bola, apresentados acima.

Já a abordagem do Salzburg merece mais algumas linhas e alguns exemplos, que verão abaixo:


O primeiro clip é um exemplo da reacção à perda dos austríacos (ou counterpressing, se preferirem), os restantes focam-se na pressão propriamente dita. É uma pressão muito bem pensada e executada, no geral. Partem do 442 losango original, e o foco é forçar perdas de bola ou o jogo directo ao adversário. Quando a bola está no guarda-redes adversário a equipa assume um bloco médio-alto, mas mal chega a um dos centrais o avançado do lado da bola reage agressivamente, dirigindo-se a esse central e, em simultâneo, cortando a linha de passe para o lateral. O avançado do lado contrário cobre-o numa posição ligeiramente mais recuada, e os restantes colegas apertam a pressão, cobrindo linhas de passe (e não adversários, são coisas distintas). Contra uma equipa como esta Real Sociedad a ideia funcionou especialmente bem, já que estes ou jogavam num dos médios em zona central, que normalmente estavam pouco apoiados e que eram fáceis de "apertar" por parte do losango do Salzburg, ou optavam pela abordagem inicial de procurar as alas, onde eram sufocados contra a linha lateral. 

Conseguem manter um nível de compacticidade interessante tanto quando pressionam alto como quando defendem mais baixo, e são, de forma geral, uma equipa muito interessante sem bola. A linha defensiva não é perfeita, de todo, mas também possui comportamentos geralmente interessantes e zonais. Estiveram brilhantes colectivamente a retirar a Real Sociedad de onde é mais perigosa - a fase de criação, e foi muito por isso que concederam tão poucos lances de golo.

Do geral ao particular: momentos chave do jogo

Como este foi um jogo com tão poucas oportunidades de golo, especialmente de bola corrida, decidi olhar para os momentos dos golos de forma mais particular. Acima de tudo, para perceber o que neles há de mérito/correspondente às regularidades referidas, e no que neles se deve tão somente ao acaso.

Muita gente acha que no futebol (ou mesmo na vida) não existe sorte nem azar, e que tudo tem de ter uma explicação ou, melhor dizendo, em tudo tem de haver algum mérito. Esta parece-me uma ideia algo religiosa, e com a qual eu não concordo minimamente. Por paradoxal que pareça, não há maior racionalidade do que pensar que nem tudo é explicável, e que há factores que não só não controlamos como não percebemos. Numa análise, neste caso de futebol, interessa ter isto presente para nos focarmos no que é, de facto, controlável, sem deixar que o que foge ao nosso controlo, por mudar o resultado final, tolde a nossa análise. No fundo, é perceber que a aleatoriedade é como aquela lomba que temos no caminho para casa: existe, não a podemos contornar, mas também não podemos fazer nada quanto a ela por isso é esperar que ela não nos prejudique.

Oportunidade flagrante para a Real Sociedad e, em seguida o primeiro golo do Salzburg


Este vídeo, a meu ver, é notável para se perceber o que disse no parágrafo acima. Nele podem ver-se dois lances: um, aos 7 minutos, em que a Real Sociedad tem uma oportunidade claríssima de golo (de longe a sua melhor, de bola corrida), e outro, dois minutos depois, que daria o golo do Salzburg. Duas grandes oportunidades de golo, uma para cada equipa, a primeira vai por cima e a segunda entra. Claro que a qualidade ou falta dela na finalização também entra em jogo, mas quando se fala em aleatoriedade tem muito que ver com coisas destas. Bastava o cabeceamento do Oyarzabal ir meio metro mais abaixo e todo o jogo a partir daí seria diferente. Passava a Real Sociedad para a frente, tanto do jogo como da eliminatória, e provavelmente o lance do golo do Dabbur, da forma e no momento exacto em que surgiu, não acontecia.

Mas passando à frente, esse primeiro lance é um que não tem nada de colectivo. Nasce de um erro não forçado do Onguené, é relativamente bem defendido (tanto quanto possível, já que no momento da perda estavam em inferioridade), mas bastante bem definido pelo Zurutuza, pelo que origina uma oportunidade clara. São lances que acontecem no jogo, obviamente, mas o valor analítico que dele se extrai numa análise colectiva é pequeno - já individualmente dá para criticar Onguené e elogiar Zurutuza, como disse.

Já o segundo lance, que dá golo, é diferente. A recuperação de bola é um exemplo muito bom do que abordei extensamente acima sobre a qualidade da pressão do Salzburg e, em seguida, mostra um exemplo em que a pressa (a meu ver excessiva) que caracteriza os austríacos foi bem sucedida, já que os apoios próximos após a recuperação e uma série de boas execuções - em particular o óptimo passe de Schlager - culminam na criação de uma oportunidade clara de golo que dá o 1-0.

Golo da igualdade e a genialidade de Januzaj


O golo nasce da genialidade de Januzaj? Sem dizer mais nada, dizer isto é obviamente um exagero colossal! Isto porque o lance a que me refiro acontece exactamente dois minutos antes do golo, golo esse que é de bola parada (um canto). Mas deixem-me contextualizar o exagero. Como já disse aqui algumas vezes, a Real Sociedad teve enormes dificuldades em chegar ao último terço do adversário durante o jogo, e nos primeiros 25 minutos essas dificuldades foram quase constantes. Mas após a jogada individual incrível de Januzaj, que recebe a bola junto à linha lateral, está muitíssimo pressionado mas que ao livrar-se de uma série de adversários consegue enquadrar-se só com a linha defensiva adversária pela frente, conseguiu finalmente empurrar o Salzburg para trás. Por incompetência de Agirretxe esse lance acaba por não dar em nada, mas foi o mote para que nos dois minutos seguintes a equipa basca assumisse o domínio territorial, remetendo os austríacos para trás.

Mesmo perdendo a bola pelo menos duas vezes nesse período, como estavam em posição mais adiantada conseguiram recuperá-la de forma relativamente célere, e foi esse domínio territorial que originou o canto que, por sua vez, originou o golo. 

Como é óbvio, o domínio territorial por si só significa muito pouco. Fazendo mais uma analogia espectacular, a jogada de Januzaj e consequente domínio territorial simbolizam a compra de um bilhete do Euromilhões. Tendo em conta que mesmo assim não criaram nada, as probabilidades de marcar eram baixas (se, por hipótese, se repetissem esses 2 minutos após o lance de Januzaj e acção do Agirretxe 1000 vezes), mas ao menos existiam, o que não era o caso quando os bascos não conseguiam sequer chegar ao último terço com a bola controlada.

Nota: Para quem quiser partilhar apenas o lance brutal do Januzaj, é usar este link.

Penalty que dá o 2-1, no ar a bola é de ninguém


Aqui prefiro salientar a maior calma apresentada pelo Salzburg na circulação, num primeiro momento, e o facto de a Real Sociedad, no lance após a expulsão de um dos centrais, ter pressionado alto mas, a meu ver, sem subir o suficiente a linha defensiva. Quando a bola  vai para o guarda-redes adversário esta poderia estar mais perto da linha de meio-campo, colocando alguns dos jogadores do Salzburg em posição irregular e dificultando uma situação de disputa de bola aérea. Mas tirando isso, é um lance de igualdade naquela zona e uma bola pelo ar, e em seguida um erro individual do central da Real Sociedad que permite o desenvolvimento do lance. Seria fácil traçar um paralelo entre a expulsão e o golo, já que surgiram de forma quase seguida, mas este é daqueles casos em que seria falacioso fazê-lo, já que mesmo 11x11 era quase igualmente possível algo como isto acontecer.

Dabbur, o homem do jogo

Este foi um jogo que contou com vários jogadores interessantes. Do lado da Real Sociedad, os 3 que jogaram atrás do avançado (que já referi), Illarramendi, Odriozola e o guarda-redes Rulli (embora esteja numa fase menos boa) são todos jogadores de qualidade. Do lado do Salzburg, o elogiado Ramalho, Schlager, Hee-Chan Hwang (muito forte no 1x1) e mesmo Haidara são jogadores interessantes. Berisha também entrou bastante bem, tendo sido importante para a melhoria do Salzburg com bola após o 2-1 e deixando em mim algumas dúvidas sobre se ele não seria melhor opção que Yabo, que jogou no seu lugar.

Mas o jogador que mais se destacou foi claramente Dabbur, um dos dois avançados - o outro é o já referido Hwang - do Salzburg. Mostrou ser um jogador bastante dotado tecnicamente,  fisicamente muito forte - ágil, rápido e bastante forte a aguentar o choque - e com um entendimento do jogo bastante interessante, com e sem bola. Trabalhou de forma muito inteligente e agressiva nos momentos de pressão, soube associar-se com os colegas, conseguiu manter a posse em situações bastante complicadas e ainda marcou o primeiro golo do jogo. Exagerou um pouco nas tentativas de desequilíbrio individual em situações desvantajosas, o que levou a algumas perdas de bola, mas sendo um jogador com qualidade no drible e tendo dificuldade em ter boas situações em utilizá-lo entendo alguns exageros da parte dele. Ainda assim, fez um jogo de grande qualidade, que vão poder ver na sua plenitude. Abaixo poderão ver, em dois vídeos que representam, respectivamente, a 1ª e a 2ª parte, todas as acções com bola de Dabbur no encontro.



Conclusão

Foi um jogo interessante, embora eu antes de o ver esperasse maior qualidade ofensiva por parte de ambas as equipas, apesar do bom desempenho do Salzburg no fim do jogo, a defender muito bem o sucessivo jogo directo da Real Sociedad nessa fase e a atacar com qualidade. Ainda assim, sei que a Real Sociedad, que conheço melhor, é capaz de jogar muito mais do que o que mostrou neste encontro, e o Salzburg mostrou qualidades colectivas muito interessantes, e melhorando os defeitos que referi podem ser uma equipa muito interessante de se seguir.

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