22 de dez de 2018

O Dortmund de Lucien Favre: Vamos rápido, e vamos todos!

Peço desculpa  pelo post anterior, mas estava naquela altura do mês... Voltando às coisas sérias!

O Borussia de Dortmund ganhou nova vitalidade com a chegada de Favre ao seu comando. Os resultados têm sido muito bons, e isso levou-me a espreitar alguns jogos deles para conseguir tecer algumas considerações. Para o artigo, considerei apenas um jogo onde fica bem vincada a identidade que Favre quer para a sua equipa nos diferentes momentos do jogo, de que forma a sua equipa se comporta de forma individual e qual é a reacção colectiva aos acontecimentos do jogo. Claro que, ele saberia detalhar melhor cada uma das situações que aqui se falam, e fazer-nos perceber quais são os marcadores que fazem activar as escolhas que os seus jogadores fazem. Mas fica aqui um resumo do meu entendimento do que vi nos jogos deles.

Apresenta-se normalmente em 1-4-4-2 com as três linhas (defesas, médios, e avançados) bem definidas ofensiva e defensivamente. Funcionam de forma simétrica sem nenhuma grande diferença ou particularidade de um lado para outro do campo, independentemente dos jogadores que lá actuam. É uma equipa que se pode caracterizar, de forma geral, como tendo uma obsessão pelo espaço, por não se importar de não ter bola, e por forçar  o ataque à profundidade. Joga num bloco médio, ou baixo para depois aproveitar o espaço nas costas do adversário. No jogo, é uma equipa de ataque rápido e que não faz da posse de bola uma arma. Como se vai ver, é bastante competente naquilo que se propõe a fazer. 





Como se percebeu, com a variação para o corredor contrário nada se alterou, as posições foram as mesmas. Houve apenas mais proximidade da baliza com o cruzamento.


















A opção pelo Ala para apertar no corredor deixa espaço para que a cobertura jogue com relativa tranquilidade, até chegarem as ajudas.





Da defesa para o ataque...rápido! O Dortmund não é uma equipa que queira dar possibilidade ao adversário de se organizar, e a sua equipa tem que se organizar à velocidade da luz quando recupera a bola por querer sair sempre em contra-ataque. São obcecados pelo espaço! Não lhe resistem, e muitas vezes forçam. Procuram primeiro ir dentro para libertar o passe onde entram jogadores por fora.









É um princípio, mas se não encontrarem os avançados tentam colocar o passe por fora na mesma para depois definirem o lance. E com essa opção de ataque, são os médios ala quem tem a maior responsabilidade na definição dos lances, depois os laterais e avançados. Os médios aparecem poucas vezes em situação de definição.









Por não resistirem ao espaço, e por quererem contra-atacar sempre, o jogo fica confuso algumas vezes e exige um constante vai e vem dos jogadores. Como querem forçar, não se deixam recuperar do esforço anterior.


Não é equipa de elaborar muito o ataque, de querer sair sempre a jogar, apesar de ter referências para jogar em organização ofensiva. Quando joga longo, opta por colocar a primeira bola bem junto do corredor lateral. Aí aparecem o Ala, o avançado, o lateral, e um médio por dentro.




Combinações no corredor lateral para encontrar espaço para a ruptura.





Ligam o jogo com os avançados que recebem atrás da linha média adversária, e depois procuram combinar para encontrar espaço nas costas, para entrar dentro da área com a bola controlada, ou para cruzar.





As referências são importantes e congruentes em organização ou transição ofensiva. Quando perdem a bola tentam recuperar no local onde a perderam, aproveitando as linhas estarem subidas para pressionar em zonas mais adiantadas.



6 comentários:

MC disse...

Grande post Blessing. Sem dúvida das melhores análises que vi nos últimos tempos e que acaba por vir por um pouco de gelo numa altura em que também começam a surgir muitos elogios ao Dortmund.

Achas que este "excesso de vontade" de explorar os espaços e pouco controlo do jogo poderão trazer dissabores mais tarde? Principalmente na segunda volta, onde as equipas já terão mais informação sobre a forma de jogar do Dortmund? Na altura de desmontar blocos mais baixos, terão dificuldade?

Blessing disse...

Creio que as dificuldades que tiveram esta época foram precisamente contra equipas desse tipo, sobretudo se não conseguirem marcar cedo. Eles têm soluções em ataque posicional, e até têm qualidade individual para resolver, mas optam quase sempre por ir rápido. Ligam com avançado e tudo a correr. Combina no corredor e tudo a correr. Claro que, dentro disso, são top. Top mesmo. Incríveis. Mas percebes que pecam muitas vezes na decisão porque isso de fazer tudo rápido leva a que se precipitem muitas vezes. Não é que o treinador queira que eles decidam daquela forma, ou que se precipitem nesses lances, mas o que vem de trás leva isso por arrasto. As equipas que jogarem contra eles acabam sempre por ter bola, não tanto por mérito mas porque os ataques do Dortmund não costumam durar muito tempo. Há dois dias, contra o outro Borussia, subiram um pouco as linhas e com o Weigl e Toprak como centrais tentaram sair à jogar. Mas não fizeram questão de segurar a bola e ter paciência. Recupera e vai!

Depois, em organização defensiva, têm aqueles espaços que podem ser explorados e as marcações dentro da área.

MC disse...

Não achas por exemplo que acabam por ser um pouco comparáveis ao que temos visto do Sporting de Keizer? Também vemos muita pressa em alguns momentos do jogo, na construção não tem muita paciência nem nada... E faz com que em alguns momentos o jogo fique muito partido. Basta ver por exemplo o jogo com o Nacional e o Aves por exemplo.

Contra o Vitória, sofremos e eles baixaram um pouco as linhas e jogaram num bloco médio e o Sporting teve dificuldades em conseguir criar o que quer que fosse.

Blessing disse...

Mas o Sporting ainda não consegui entender se é o treinador que o pede, ou se são os jogadores que vão sempre que ficam nessa situação. De qualquer forma, concordo. Ainda há pouca pausa, mas não sei se vai haver. Ainda não consigo dizer de forma clara se ele quer ter mais bola que os outros, e se isso é um objectivo dele ou não.

David Pereira disse...

Já tinha saudades destes posts Bless (tinha que recuar ao LE original). TOP!
Duas coisas:
- o facto de a equipa estar sempre pronta para atacar rápido (recupera e vai) faz com que muitos jogadores procurem espaços que não são convencionais 'as suas posições, como por exemplo num dos vídeos vemos uma transição em que o LE recupera no seu corredor ainda junto a área e acaba o lance "como" ext.direito. Isto para alem de uma liberdade enorme no momento de TO, obriga a ajustes de equilíbrio por parte de outros jogadores que "ficam para tras". Ou seja, um bom entendimento da equipa no que toca ao equilíbrio defensivo e as permutas de posicoes.
- será coincidência o Witsel (MCD) estar sempre mais perto do lateral quase como a obriga-lo a subir? Já que não se vê o MCE a fazer isso tantas vezes?

E' urgente tornares estes posts um hábito!

Blessing disse...

O problema é o tempo que cada post destes demora. Sim. Eles sabem muito bem que espaços pisar em função do que os outros fazem. E há jogadores com mais liberdade de movimentos do que outros.

O Hakimi não precisa que o empurrem, ele vai sempre.

Abraço, mister!

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