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8 de mar. de 2017

Bas Dost, o desenquadrado...


... literal e figurativamente.

Literalmente por muitos o acusarem de nunca se enquadrar com a baliza adversária, quando recebe, e daí extrapolarem para a ideia de que ele é praticamente inútil com bola. Se é verdade que ele por vezes deixa passar oportunidades em que o contexto lhe pede para o fazer (embora seja ainda assim uma crítica exagerada, na forma como é feita), é acima de tudo a extrapolação que importa rebater. De um avançado ser pouco móvel e de não procurar com frequência oportunidades de receber e rodar para a baliza contrária, não se segue a sua inutilidade nesse momento. Um dos papéis mais importantes de um avançado é saber servir de apoio frontal, compreender as movimentações e intenções dos colegas, saber combinar com eles e mesmo conseguir fazer algo de inesperado através desse entendimento dos colegas e do contexto.

Ao contrário de muitos, logo nos primeiros jogos lhe vi muitos destes atributos. Apenas achava que falhava bastante na forma como (não) se movimentava, muitas vezes, para servir de apoio, tendo algumas dificuldades para perceber o contexto na questão da movimentação fora da área. Mas o que lhe podia faltar nessa movimentação, não só pode ser explicado pelo que lhe exigiam no Wolfsburg (que ficasse nas costas da defesa para finalizar, e que não saísse muito desse registo), como lhe sobrava na forma como se associava quando de facto tinha a bola. Há também dizer que, ao adaptar-se ao que Jorge Jesus lhe pedia, melhorou bastante nesse sentido (embora seja, por ventura, a área em que ainda devesse evoluir mais).

Um tipo de movimentação em particular, fora da área (embora normalmente perto dela), em que ele é bastante forte, é, quando vê colegas à sua ilharga e a bola vem com força, simular que vai dominar a bola, mas deixá-la passar para um colega e movimentar-se rapidamente nas costas da defesa. Isto cria bastante dúvida nos defesas, podendo facilitar não só a recepção do jogador que tem a bola, como um eventual passe desse jogador a aproveitar a subsequente movimentação.

Abaixo fica um exemplo, embora esteja longe de ser o melhor (era o único que estava no resumo...).


Figurativamente... porque é um jogador que foge da caixinha em que quem olha para um pinheiro de 1m96 o pode tentar encaixar. Poder-se-ia esperar, por parte de quem não o conhecesse, um tanque de guerra que vivesse do choque e do jogo aéreo. Na verdade, não se destaca em nenhum desses. É bastante franzino para a sua altura, os seus números fantásticos de golos devem-se muito mais à forma como se movimenta dentro da área do que a qualquer supremacia física e, acima de tudo, a forma como procura sempre em primeiro lugar os colegas para os enquadrar (juro que não foi de propósito! ), assistir ou combinar, sendo perfeitamente capaz de ignorar uma boa oportunidade de remate se vir um colega em melhor situação. O que só dá crédito ao registo de golos que tem. Para além disso, não se fica por "dar em quem sabe". Mesmo ao primeiro toque, é capaz de descobrir soluções inovadoras e com uma dificuldade cognitiva bastante elevada.

Foge também do que é a equipa actualmente. O Sporting cai muitas vezes numa falsa atracção, procurando exagerar nos cruzamentos para ele, pensando que é a melhor forma de o aproveitar. Não é, pelo que foi dito acima. Na recepção ao Vitória SC, por exemplo, foi facilmente o jogador que mais coisas diferentes criou em campo. Merecia jogar no Sporting do ano passado, por exemplo, que praticava um futebol imensamente mais criativo colectivamente. Jonas está obviamente numa liga diferente de todos os outros avançados do nosso campeonato, mas se tivesse de escolher alguém para fazer parelha com ele, era o Dost. O que é um dos melhores elogios que lhe consigo fazer...

No fundo, e mais uma vez, nem tudo o que parece é. Poucos esperariam de um avançado pouco ágil e sem atributos técnicos especiais de 1m96 acções como a do clip abaixo (e há mais de onde estas vieram, são só uns poucos exemplos), mas é por isso que há que ser cuidadoso na análise, e procurar analisar os jogadores pelo que são.

19 de ago. de 2015

Diego Costa: entre a cara e a técnica, até fica a parecer um gajo bonito

No seguimento do post sobre Slimani, mais um avançado cheio da famosa raça mas que mais parece ser um defesa-central adversário,dado o número de bolas que perde por ser tão mau tecnicamente e tão pouco inteligente

13 de ago. de 2015

A força da técnica e técnica da força: Islam Slimani

Quando se fala de futebol, mais concretamente na qualidade dos jogadores, há e haverá sempre uma coisa impossível de alcançar: a unanimidade. Seja qual for o jogador, nunca existirá o momento em que toda a gente seja da mesma opinião em relação à sua qualidade. E isto porque, cada pessoa, olha para o jogador de maneira diferente. Independentemente da posição que ocupa no campo, nem toda a gente avalia o jogador com base nos mesmos parâmetros. Para uns o mais importante será o nº de golos marcados e de assistências feitas mas para outros já será a qualidade com que se movimenta, e ainda há os que dão mais valor aos atributos físicos como a resistência ou a velocidade. 

Um exemplo bastante claro para explicar o que acabei de dizer é Islam Slimani. O avançado do Sporting, é um jogador sobre o qual é impossível haver unanimidade, sendo mesmo alvo de avaliações muito díspares. Na minha opinião, esta disparidade nas avaliações sobre o avançado argelino só é possível porque, a maior parte dos adeptos, do Sporting e não só, não têm em conta, no momento da avaliação, todas as situações que ocorrem durante um jogo de futebol. Isto é, só em raríssimos casos (como por exemplo o de Mário Jardel, excelente no momento da finalização mas fraco nos restantes) é que um jogador de futebol deve ser avaliado com base em apenas um momento do jogo, Não sendo o jogador em questão muito acima da média num determinado momento do jogo, deve ser avaliado de forma global. 

É com base em todo o conjunto de situações que ocorrem durante o jogo que eu avalio Slimani, e por isso, a minha opinião sobre o mesmo não é a mais favorável. Quando olho para o avançado argelino vejo um jogador muito limitado do ponto de vista técnico e que por isso não consegue aproximar a sua equipa do sucesso em muitas das situações que ocorrem durante os 90 minutos. Mesmo tendo em conta a importância que Slimani tem em algumas situações (pressão, esquemas tácticos, 1ªas bolas etc), na maior parte dos casos, Slimani não tem qualidade técnica para oferecer à equipa o que ela precisa naquele momento. Enormes dificuldades na recepção e na condução, fazem Slimani perder uma grande quantidade de bolas em cada jogo. Em muitos casos, e apesar de conseguir entregar a bola a um colega, a mesma não lhe chega nas melhores condições. Mesmo no momento da finalização, Slimani não consegue, fruto das suas debilidades técnicas ser um avançado acima da média. 

Se olharmos para Slimani de uma maneira racional e o avaliarmos com base em TODOS os momentos do jogo e TODAS as situações inerentes a esses momentos, facilmente nos apercebemos que o avançado argelino, apesar de ser importante em algumas situações, é um jogador com demasiadas deficiências técnicas para ser considerado um avançado de grande qualidade. 


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