Há uns anos atrás, entrevistado por Pedro Ricardo da Silva Batista no âmbito da sua tese
de mestrado ("Organização Defensiva: Congruência entre os princípios,
sub-princípios e sub-sub-princípios de jogo definidos pelo treinador e a sua
operacionalização"), Vítor Pereira - atual campeão chinês ao serviço do Shanghai SIPG - referia o
seguinte sobre o momento da organização defensiva, mais concretamente sobre os
momentos de pressão:
«O que eu posso dizer é que, o que pretendo na minha equipa, é uma
equipa com uma organização defensiva inteligente, inteligente no sentido de
diferenciar ritmos, ou seja, às vezes parece passiva mas quando identifica os
referenciais de pressão, acelera e torna-se imediatamente pressionante e
agressiva. Eu não quero uma equipa que pressione constantemente, eu quero uma
equipa que espera pelo momento certo para acelerar sobre o adversário em bloco,
de perceber o momento colectivo de pressão, e não uma equipa que a cada passe
pressiona o adversário. É uma organização zonal, que se torna pressionante nos
momentos que eu acho que ela deve ser pressionante, porque quem pressiona sem
cérebro, quem pressiona as bolas todas morre a meio do campo, perde
discernimento. Eu não quero esse tipo de organização defensiva, eu quero uma
organização em que os 11 jogadores do campo entendam o momento em que temos de
ser agressivos, quando temos de acelerar sobre o adversário, quando de facto
funcionamos em bloco, devemos identificar os momentos de pressão
colectivamente».
Faz todo o sentido não faz? Agora vejamos o que faz o Barcelona de
Valverde neste momento do jogo.
Nenhuma preocupação com as coberturas defensivas de modo a tornar o bloco defensivo o mais compacto possível. O objetivo é sempre tentar aproximar dos jogadores do Bétis para recuperar a bola, e o resultado é quase sempre o mesmo: muito espaço entre a linha defensiva e a linha média, e os jogadores do Bétis a conseguirem receber a bola apenas com os defesas do Barcelona pela frente.
Esta época tem sido demasiado fácil construir e criar situações de golo contra o Barcelona, e não é por acaso que têm o pior registo defensivo dos últimos 43 anos: 18 golos sofridos em 12 jornadas.














