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| Foto: Carlos Alberto Costa |
Não se esconde, não se protege, não se envolve entre o génio das paredes das suas botas. Para Bruno Fernandes, o jogo é qualquer coisa sem singular – a menos que o que lhe ensinaram Cardano, Pierre de Fermat ou Balise Pascal lhe grite ao ouvido uma boa probabilidade de chutar à balizar –, por isso escolhe mostrar a força do colectivo. Nasceu, como outros, também para não deixar morrer Cruyff, que repetia: “O futebol é um jogo que se joga com a cabeça e em que se usam os pés”. Também para nos obrigar a aceitar que velocidade na circulação não é sinónimo de qualidade na circulação, porque tudo depende de quem e como faz a bola circular. Bruno Fernandes não tem de correr para acelerar o jogo e corre quando lê que essa acção poderá estimular a eficácia, tendo perfeita consciência de que a sua inconsciência nem sempre é entendida (sucede o mesmo com Nani). Bruno Fernandes nunca vai sozinho.
No arranque ao lado de José Peseiro, e mesmo perdendo mais de metade do protagonismo com a bola – não por sua culpa –, uma vez que ela passava demasiadas vezes por cima da sua cabeça, o médio deu a cara sem comprometer o trabalho da equipa: “(…) nada justifica as minhas exibições não ao nível das do ano passado ou que apareça por simples momentos e volte a desaparecer! Acredita que mais do que ninguém sinto-me frustrado com o que tenho vindo a apresentar e não, a culpa não é de ninguém, a não ser minha! (…)”. Isto, no Instagram oficial, em resposta a um adepto, após a derrota por 1-0 no Estádio Municipal de Braga. Ao mesmo tempo, ouvia, de pessoas inaptas para a percepção de que o jogo é inteiro, que não voltaria a exibir o nível apresentando com Jorge Jesus.
A chegada de Marcel Keizer trouxe-lhe a liberdade que o seu futebol anseia. E é sendo livre, sem mostrar as costas à baliza, que ele pode associar, queimar linhas de pressão, surgir entre elas, tentar o seu roubo favorito, que é o da recuperação em zonas subidas, pois reconhece que é aí que se torna mais fácil ferir o adversário. Arrisca? Sim, mas agora também confia mais nos jogadores que o rodeiam e é simplesmente isso que pede em troca: que também confiem em si. Bruno Fernandes é o médio mais completo da Liga NOS.
