“O jogo pede que nós façamos determinados comportamentos em determinados momentos”
“Amanhã, teremos um adversário que nos vai querer ganhar, mas vamos entrar convictos do que teremos de fazer para trazer os três pontos”
“Foi uma partida bem disputada entre duas equipas que sabiam que uma iria ficar obrigatoriamente pelo caminho”
Isto. Conferência de imprensa após conferência de imprensa. Nas antevisões. Nos rescaldos. Mea culpa tem de ser assumida pelos jornalistas, que insistem em utilizar o dever de informar com rigor (Artigo 14.º, Estatuto do Jornalista – Deveres, “Exercer a actividade com respeito pela ética profissional, informando com rigor e isenção”), formulando perguntas sobre – por exemplo – a justiça de um qualquer resultado.
Companheiros de viagem, a justiça, no futebol, nunca interessou.
O restante élan em redor de lugares comuns recai nos treinadores, que por "estratégia comunicacional do clube", e esta é uma das mais fascinantes justificações, ou por julgarem que são capazes de evitar o elefante na sala, insistem em abordar o jogo como o Pateta abordaria uma bola. Se, antes de uma partida, posso aceitar o secretismo acerca da abordagem estratégica, o mesmo soa a estapafúrdio após os 90 minutos. Elucidem os amantes do ‘desporto rei’, expliquem-lhes o que falhou, por que é que algo tão básico (para vocês) como um jogador não ter utilizado os apoios certos no momento defensivo foi tão determinante no desenrolar da jogada que originou o golo contrário. Há pessoas que nunca ouviram falar disto e a culpa também é vossa.
Vossa porque na Ilha da Páscoa se sabe que os adversários vão querer ganhar e em Kerguelen, no extremo sul do oceano índico, se sabe que o objectivo são os três pontos. A sério? É isso? É só isso que têm para nos ensinar? Pep Guardiola – desculpem a insistência – autorizou a gravação do acompanhamento da temporada que levou o Manchester City a vencer a Premier League 2017/18 com mais 19 pontos do que o segundo classificado. Não me digam que desde Agosto de 2018, data em que o documentário (All or Nothing: Manchester City) foi lançado, o conjunto orientado pelo espanhol não voltou a ganhar. Que desesperante é não existir quem absorva que (quase) tudo o que se passa longe das câmaras fica a nu sempre que a equipa sobe ao relvado. Não vale a pena esconder. A assinatura de todos os treinadores escreve-se com os pés dos seus jogadores, com a procura de ‘tocar curto’ ao invés de ‘bater directo’, com o movimento interior de um lateral, a evolução de um guarda-redes a jogar com os pés. Comuniquem. Co-mu-ni-quem.
Considero desprestigiante para a modalidade o esforço que se faz para não a explicar. Querem fazer valer o estatuto de o futebol ser do povo? Muito bem, mas então que o utilizem – TODOS – para o reeducar e não para o tornar cada vez mais ignorante.
“Amanhã, teremos um adversário que nos vai querer ganhar, mas vamos entrar convictos do que teremos de fazer para trazer os três pontos”
“Foi uma partida bem disputada entre duas equipas que sabiam que uma iria ficar obrigatoriamente pelo caminho”
Isto. Conferência de imprensa após conferência de imprensa. Nas antevisões. Nos rescaldos. Mea culpa tem de ser assumida pelos jornalistas, que insistem em utilizar o dever de informar com rigor (Artigo 14.º, Estatuto do Jornalista – Deveres, “Exercer a actividade com respeito pela ética profissional, informando com rigor e isenção”), formulando perguntas sobre – por exemplo – a justiça de um qualquer resultado.
Companheiros de viagem, a justiça, no futebol, nunca interessou.
O restante élan em redor de lugares comuns recai nos treinadores, que por "estratégia comunicacional do clube", e esta é uma das mais fascinantes justificações, ou por julgarem que são capazes de evitar o elefante na sala, insistem em abordar o jogo como o Pateta abordaria uma bola. Se, antes de uma partida, posso aceitar o secretismo acerca da abordagem estratégica, o mesmo soa a estapafúrdio após os 90 minutos. Elucidem os amantes do ‘desporto rei’, expliquem-lhes o que falhou, por que é que algo tão básico (para vocês) como um jogador não ter utilizado os apoios certos no momento defensivo foi tão determinante no desenrolar da jogada que originou o golo contrário. Há pessoas que nunca ouviram falar disto e a culpa também é vossa.
Vossa porque na Ilha da Páscoa se sabe que os adversários vão querer ganhar e em Kerguelen, no extremo sul do oceano índico, se sabe que o objectivo são os três pontos. A sério? É isso? É só isso que têm para nos ensinar? Pep Guardiola – desculpem a insistência – autorizou a gravação do acompanhamento da temporada que levou o Manchester City a vencer a Premier League 2017/18 com mais 19 pontos do que o segundo classificado. Não me digam que desde Agosto de 2018, data em que o documentário (All or Nothing: Manchester City) foi lançado, o conjunto orientado pelo espanhol não voltou a ganhar. Que desesperante é não existir quem absorva que (quase) tudo o que se passa longe das câmaras fica a nu sempre que a equipa sobe ao relvado. Não vale a pena esconder. A assinatura de todos os treinadores escreve-se com os pés dos seus jogadores, com a procura de ‘tocar curto’ ao invés de ‘bater directo’, com o movimento interior de um lateral, a evolução de um guarda-redes a jogar com os pés. Comuniquem. Co-mu-ni-quem.
Considero desprestigiante para a modalidade o esforço que se faz para não a explicar. Querem fazer valer o estatuto de o futebol ser do povo? Muito bem, mas então que o utilizem – TODOS – para o reeducar e não para o tornar cada vez mais ignorante.
