16 de abr de 2015

David Luiz e os talentosos

Após a exibição medíocre que David Luiz protagonizou frente ao Barcelona, foram várias as criticas direccionadas ao central brasileiro. Glenn Hoddle, antigo selecionador inglês, foi corrosivo na sua avaliação e comparou David Luiz a uma criança de 8 anos. Verdade seja dita, há crianças de 8 anos que já sabem, que se forem o ultimo jogador (sem contar com o guarda-redes)  da sua equipa, entre a bola e a baliza, devem recuar uns metros, fazendo contenção, à espera que um colega de equipa chegue, e só nas imediações da grande área devem sair ao portador da bola. 

Glenn Hoddle diz ainda que "Ele (David Luiz) gosta de jogar como se estivesse no recreio onde o jogo não tem forma. Ele é talentoso mas não é isso que faz um futebolista de topo". Vários são os futebolistas que encaixavam que nem uma luva neste lote "talentosos sim, de topo não". Jogadores que apesar de terem muita qualidade técnica e de serem muito bons fisicamente, não conseguem ser de topo porque lhes falta inteligência. 

Um dos exemplos mais claros para se perceber (ou não) esta temática é Ricardo Quaresma. Apesar de ser um jogador extremamente talentoso, nunca se conseguiu afirmar num grande campeonato, mesmo tendo tido oportunidade de jogar em Inglaterra, Itália e Espanha. Não o conseguiu porque nunca foi capaz de colocar a sua qualidade técnica ao dispor do coletivo, associando-a à tomada de decisão e à inteligência. Nunca foi capaz de se relacionar com os colegas dentro de campo porque sempre jogou um futebol de recreio e não um futebol pensado. 

Embora David Luiz, Quaresma entre outros, tenham muita qualidade técnica, sejam dos mais talentosos que há nas suas respectivas posições, jamais estarão ao nível de jogadores que conseguiram associar a sua qualidade técnica e física à inteligência. 






11 de abr de 2015

O Rayo de Paco Jémez


Independentemente da qualidade dos executantes (jogadores), são as ideias do treinador que determinam, se num dado momento do jogo, a equipa, é ou não competente, colectivamente falando. Não se entenda por competência o número de golos marcados, isto do ponto de vista ofensivo, porque isso já não depende das ideias do treinador mas sim da qualidade individual dos jogadores. A fase de construção, é na minha opinião, o momento do jogo ofensivo em que o treinador tem mais responsabilidades, isto porque, quando passamos para uma fase de criar oportunidades de golo, já é a criatividade dos jogadores o factor que mais influência tem.

Posto isto, Paco Jémez apresenta o seu Rayo. Sempre fiel aos seus princípios de jogo, independentemente do adversário que enfrenta, o Rayo é uma equipa com mentalidade de grande. Futebol de posse, de construção apoiada, de qualidade na circulação de bola são algumas das marcas da equipa de Paco Jémez. Embora apresente algumas debilidades defensivas, é de louvar que uma equipa com a qualidade individual do Rayo, apresente um futebol deste nível. Para terminar, um desejo, ver Paco Jémez numa equipa com qualidade individual igual à qualidade das suas ideias ofensivas.

(a bola entrou no jogador perto do arbitro)



31 de mar de 2015

O melhor treinador é aquele que ganha

É muito frequente ler frases como a do titulo. Julgar o treinador com base nos resultados da sua equipa é uma situação bem frequente mas peca por ser bastante redutora. O treinador, assim como qualquer funcionário de um Clube, deve ser avaliado com base no sucesso ou insucesso das situações que são da SUA responsabilidade. É aqui que reside o grande problema quando se avalia um treinador, ou seja, o que é responsabilidade do treinador? 

Muitos são os adeptos que avaliam um treinador com base no resultado final ou no nº de troféus ganhos no final da época, mas esquecem-se de tudo o que contribui para esse desfecho. Um treinador pode ser o mais competente durante a semana de treinos, durante os 90 minutos e o resultado ser uma derrota por 3x0 frente a um treinador que durante a semana não preparou a equipa da melhor maneira. Confuso? 

Exemplo: O treinador da equipa A, sabendo que o adversário que ia encontrar na próxima jornada deixa muito espaço entre a linha defensiva e a linha média, preparou a sua equipa para que os médios recebessem a bola nesse espaço e a partir daí, enquadrarem e criarem situações de finalização. A semana de treinos correu na perfeição e os comportamentos que o treinador queria ver no jogo estavam assimilados pelos jogadores. Começou o jogo. Os lances em que a bola entrou entre a linha média e a linha defensiva foram mais de 10, mas infelizmente para o treinador da equipa A, o ultimo passe saiu quase sempre com mais velocidade do que o ideal e nas poucas situações em que o passe foi bem executado e a bola entrou num dos avançados, a receção foi mal feita e o lance terminou sem perigo. Ao minuto 90, ainda com 0x0 no marcador, um dos defesas da equipa A, ao movimentar-se de modo a controlar a profundidade nas suas costas escorrega e permite ao avançado da equipa B fazer o golo e dar a vitória à sua equipa. 

Que conclusão podemos retirar? É que o treinador da equipa B é mais competente do que o treinador da equipa A, apenas porque no final do jogo a vitória sorriu à sua equipa? Obviamente que não. Foi o treinador da equipa A que melhor preparou a sua equipa, foi a sua equipa a mais organizada em campo, quer no momento defensivo como no momento ofensivo. O treinador pode e deve ser julgado sim, mas pelos comportamentos que a equipa apresenta que são da sua responsabilidade. A equipa defende de forma compacta ou deixa espaço entre sectores? Sabem controlar a largura e profundidade? A atacar, é cada um por si ou há várias linhas de passe ao portador da bola? Terminam as jogadas todas com cruzamentos ou procuram circular a bola até criar condições para penetrar pelo corredor central? É nisto que o treinador tem influência e é com base nisto que deve ser julgado. 

É impossível avaliar correctamente o trabalho de um treinador com base no resultado final ou no nº de troféus ganhos isto porque nem todos os treinadores estão inseridos no mesmo contexto. A qualidade individual das equipas, a sorte, os árbitros, o estado do relvado etc são factores que contribuem e de que maneira para o desfecho de um jogo ou de uma época pelo que julgar o treinador com base no resultado final é demasiado redutor. Pode um treinador, sem nunca ter ganho nada, ser melhor treinador do que um que já venceu uma Champions? Obviamente que pode, e o futebol está cheio de exemplos desses. 







29 de mar de 2015

Thierry Henry

Quem sabe nunca esquece! Mesmo num jogo a brincar, Henry a mostrar como se resolve uma situação de superioridade numérica, neste caso, 3x2. Além de fixar o defesa ainda lhe trocou os olhos


20 de mar de 2015

«Provámos que sabemos jogar em ataque continuado» Sérgio Conceição

Oh Sérgio, desculpa lá a frontalidade mas tu vês mal não vês? Então tu achas, que o que a tua equipa fez durante os 90 minutos prova que sabem jogar em ataque continuado? Mas o que é que tu viste que te leva a concluir isso?! Custa-me a acreditar que não tenhas visto os teus jogadores a terminarem quase todos os lances ofensivos com cruzamentos, cruzamentos esses que não eram de todo a melhor opção visto que na área as condições eram de inferioridade numérica. 

Como é que é possível afirmares que sabem jogar em ataque continuado quando não conseguem fazer uma jogada que desorganize o adversário? Sinceramente oh Sérgio! Então tu vês 90 minutos como os de hoje e ainda tens a lata de vir dizer tamanha barbaridade? Não conseguiram nunca jogar por dentro com qualidade, salvo raras excepções em que um jogador pegou na bola e foi por ali fora. Nunca obrigaram o adversário a bascular para um lado para depois entrar pelo outro. Nunca conseguiram deixar jogadores enquadrados com a ultima linha da Académica. 

Olha lá, então tu, para justificares que sabem jogar em ataque continuado e que mereciam ganhar o jogo, dizes que o Braga fez 50 ataques? Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra?!  A qualidade é que importa, não é a quantidade. Ai Sérgio Sérgio.

Para terminar a tua bela análise, ainda vens afirmar de peito aberto, que o Braga vai estar na final da Taça de Portugal, Acho que não o devias ter feito. Em primeiro lugar porque estás a desvalorizar e a dar motivação ao teu adversário, e em segundo lugar porque com o futebol que a tua equipa pratica, nem que o adversário fosse da 2ª divisão era certo que o Braga passasse a eliminatória. 

18 de mar de 2015

Dá gosto ver, não é Guardiola?

Com executantes destes tudo é possível, tudo parece fácil. Incrível a facilidade com que os jogadores do Barça apareceram enquadrados com a linha defensiva do adversário e a partir daí criaram situações claras para finalizar. Muito difícil para qualquer equipa parar tantos jogadores com tanta qualidade técnica, inteligência e criatividade se estes estiveram num dia inspirado. Seja na defesa, no meio campo ou no ataque, é absolutamente incrível a facilidade com que os jogadores do Barça saem da pressão adversária com critério e qualidade. 

Ainda mais incrível é a quantidade de vezes que Messi consegue deixar os colegas na cara do guarda-redes adversário. Progredi, temporiza, solta e lá está um colega na cara do guarda-redes da equipa adversária. Faz o que quer, quando quer e como quer. E dá cuecas! 




P.S- Que exibição monstruosa de Joe Hart!


2 de mar de 2015

Jackson Martinez

Jackson Martinez é sinonimo de golos mas é muito mais que isso como ficou mais uma vez provado ontem no Dragão. O colombiano é qualidade a servir como apoio quando baixa uns metros no terreno, é qualidade quando explora o espaço nas costas da linha defensiva adversária, é qualidade quando do nada inventa um lance com um toque artístico. No fundo, Jackson Martinez  é top mundial porque não joga apenas um momento do jogo, joga-os todos, e todos com grande qualidade. 

28 de fev de 2015

Kagawa


Algures no Verão..

Van Gaal- Muito obrigado por teres vindo ao meu gabinete Kagawa.

Kagawa- De nada mister. O que deseja?

VG- Queria te fazer umas perguntas para saber se posso contar contigo para fazeres parte do plantel desta época.

SK- Que perguntas mister?

VG- Olha, a primeira pode ser quantos km consegues fazer por jogo?

SK- Não sei mister.. mas consigo fazer a bola correr vários através de passes de rutura.

VG- Humm ok. Então e quantos adversários consegues fintar?

SK- Também não sei mister.. Mas sou criativo e com um simples passe deixo vários adversários fora do lance.

VG- Humm acho que já tenho a informação necessária para me decidir.

SK- Então? Fico no plantel?

VG- Não. Prefiro comprar o Di Maria para o juntar ao Young e ao Valência. Tu e o Nani, vão embora.



(ângulo diferente)

Bielsa e a (não) organização defensiva

Devo confessar que não vi o jogo de ontem do Marselha frente ao Caen, tendo apenas visto um resumo de 4 minutos, com os golos e as oportunidades de golo que cada equipa dispôs. E nesses 4 minutos, o nº de oportunidades de golo (principalmente em transição) que o Marselha concedeu ao Caen foi absurdo, tendo sofrido 3 golos depois de estar a vencer por 2-0. 

No resumo não foi possível perceber o contexto em que essas transições tiveram origem, no entanto, tenham sido um problema ofensivo colectivo ou erros individuais, o problema é o mesmo: O Marselha não sabe defender dado que os comportamentos defensivos simplesmente não existem, o que não admira visto que nas palavras de Bielsa defender é correr mais que o adversário. 

Das duas uma, ou o Marselha consegue ter a bola o jogo todo, ou tem de saber o que fazer quando a perde. Não pode continuar a conceder tantas facilidades aos adversários para criarem situações de finalização ou irá continuar a perder vários pontos até final da época. 

No lance do 3º golo, o golo que ditou a derrota, foi este o comportamento defensivo:



P.s- Adoro o Bielsa! (mas ia adorar ainda mais se conseguisse por a sua equipa a gerir melhor o jogo com bola)

15 de fev de 2015

Celta de Vigo vs Atlético de Madrid: a diferença entre o querer e o fazer


Todas as equipas querem os 3 pontos a cada jogo (quase todas vá), no entanto, umas entram em campo com a missão de fazer por isso, e outras apenas esperam para ver o que o jogo dá. O jogo entre Celta e o Atlético de Madrid foi um exemplo bastante claro da diferença entre o querer ganhar e o fazer para ganhar.

Duas posturas completamente diferentes. Uma, expectante, defensiva, com as linhas muito baixas e outra a querer dominar e controlar o jogo, a pressionar alto, a tentar desorganizar o adversário de modo a criar situações para finalizar.

Não é que seja surpreendente ver a equipa comandada por Simeone abdicar de ter a bola, mas chegar ao intervalo com menos de 30% de posse de bola é um dado que mostra bem o que foram os primeiros 45 minutos do campeão espanhol. Uma primeira parte em que nada fez para ter a bola, para desorganizar o adversário e com isso criar situações de finalização, limitando-se apenas a esperar pelo erro do adversário para conseguir explorar o espaço em transições rápidas.

Do outro lado, um Celta de Vigo a querer nitidamente construir e criar com qualidade. A querer penetrar no bloco adversário para criar situações de finalização. A querer entrar com a bola controlada dentro da área adversária. Sempre a tentar envolver vários jogadores em organização ofensiva, sempre a tentar ter superioridade numérica na zona da bola.

Mesmo com uma qualidade individual bastante superior ao adversário, o Atlético passou grande parte dos 90 minutos a ver o Celta controlar o jogo por completo. Vitória mais que justa da única que equipa que fez o que lhe competia para vencer o jogo.

Para finalizar, uma referência para o que foi na minha opinião o melhor em campo, Nolito. Excelente a exibição do extremo espanhol. Muita qualidade técnica, muita criatividade , muita capacidade para criar desequilíbrios mesmo em espaços reduzidos. Foi sempre uma constante dor de cabeça para a linha defensiva do Atlético de Madrid. Desde de passar a bola por baixo das pernas dos adversários a passar por cima da cabeça dos mesmos, a exibição de Nolito teve de tudo, e tudo com grande qualidade em prol do colectivo. 








8 de fev de 2015

Tomada de decisão


A decisão a tomar: passar ou rematar? Qual das duas aproxima mais a equipa do sucesso, em função do contexto que se verifica? Em 10 situações iguais, qual é a decisão que aproxima mais vezes a equipa do golo? Pensar 1º no sucesso colectivo ou no sucesso individual? 


7 de fev de 2015

Tottenham de Pochettino


Mais um belo jogo do Tottenham para comprovar que Mauricio Pochettino foi uma excelente escolha. Proposta de futebol ofensivo muito interessante, com princípios colectivos de qualidade. Opções de passe próximas ao portador da bola, jogadores dentro do bloco adversário e dinâmica ofensiva são uma constante no futebol praticado pelo Tottenham de Pochettino. Wenger que o diga..  





















5 de fev de 2015

«É mais difícil jogar com bola do que defender» - Leonardo Jardim


Precisamente mister Leonardo. O processo ofensivo será sempre mais complicado de trabalhar quando comparado com o processo defensivo dado que é no primeiro que existe uma relação dos jogadores/equipa com a bola. 

É em organização/transição ofensiva que a tomada de decisão e a criatividade de cada jogador tem de se relacionar com a dos restantes. Defensivamente é tudo mais simples porque é o momento do jogo que o treinador mais controla. Ensinar os jogadores/equipa a ocupar racionalmente o espaço é muito mais simples do que conseguir relacionar a qualidade técnica, a tomada de decisão e a criatividade de cada jogador de modo a que essa interacção resulte em comportamentos colectivos ofensivos de qualidade.


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