Ninguém é mais transparente e sincero que os miúdos, e quando não gostam de algo, neste caso de um exercício no treino, podem não o dizer directamente, mas dificilmente o conseguem esconder. Nota-se pela maneira como encaram o exercício, se estão ou não a gostar do que estão a fazer, e se acham útil fazê-lo. A concentração e motivação que os miúdos têm em cada exercício é reveladora do que estão a sentir em relação ao que lhes foi proposto pelo treinador. No decorrer dos exercícios vários são os erros que os miúdos desta idade cometem, na maioria, erros técnicos, como por exemplo um passe pouco preciso ou uma recepção mal feita, mesmo tratando-se de exercícios de pouca complexidade. Perante este tipo de erros, aparentemente evitáveis, o treinador "culpa" os jogadores, referindo-se à concentração com que estão a executar o que lhes foi pedido.
O que muitos treinadores de formação não conseguem entender, é que esses erros, muitas vezes são culpa do próprio exercício. Isto é, o exercício é tão aborrecido, tão descontextualizado do que é o jogo, que os miúdos não conseguem manter os níveis de concentração altos, e com isso cometem erros. Erram, mesmo tendo qualidade suficiente para fazer um simples passe ou uma recepção, porque aquele tipo de exercício já não é desafiante para eles. Obviamente que nem sempre a culpa está relacionada com os exercícios, mas no caso dos jogadores mais evoluídos tecnicamente, quando erram tanto em exercícios simples, quase sempre a culpa é do tipo de exercício e da exigência do mesmo.
Exercícios sem oposição, estáticos, em que a única coisa que lhes é pedido é passar para o colega, sem sequer terem de pensar para qual deles passar, são completamente desmotivantes e descontextualizados e isso reflecte-se no rendimentos dos miúdos, não porque não tenham qualidade para fazer o que lhes é pedido, mas porque não conseguem encontrar motivação e concentração para fazer algo que consideram aborrecido e demasiado fácil.






































