27 de jun de 2015

A Argentina de Tata Martino

Embora não seja surpreendente tendo em conta a sua curta passagem pela Catalunha, a Argentina de Tata Martino é qualquer coisa de assustador. Para quem gosta verdadeiramente de futebol é penoso ver uma seleção com tanta qualidade individual apresentar um futebol de tão fraca qualidade. Não há qualquer organização com e sem bola. Não há uma ideia de jogo pela qual todos os jogadores se guiem. Não há dinâmica para desorganizar o adversário. Não há comportamentos defensivos de qualidade. Não há nada a não ser a qualidade individual dos seus executantes que diga que a Argentina é uma das melhores seleções do Mundo.

P.S- Di Maria é dos jogadores mais sobrevalorizados do Mundo, e isso nota-se ainda mais numa seleção que não consegue disfarçar as suas debilidades. Apesar de não lhe faltarem argumentos técnicos nem físicos, Di Maria não consegue pensar de maneira colectiva e isso reflecte-se e de que maneira nas suas ações dentro de campo. Jogo após jogo soma decisões que em nada aproximam a equipa do sucesso, ainda que por vezes, fruto da sua qualidade técnica e física consiga desequilibrar. 






22 de jun de 2015

As ideias de Dunga

Depois de muitas criticas às substituições realizadas no jogo contra a Venezuela (saídas de Robinho e Firmino para as entradas de David Luiz e Marquinhos), Dunga conseguiu a proeza de dar uma justificação mais ridícula que as próprias substituições. 

"Para neutralizar a única jogada que a Venezuela fez o tempo todo. Era a bola longa para cabecear. Eles não tinham outra jogada e me preocupou muito a quantidade de faltas perto da nossa área. Infelizmente, não tivemos essas faltas a favor, só contra nós. O David já jogou nessa função, no meio, o Marquinhos também na lateral, e deixamos o Daniel Alves para a parte ofensiva, com velocidade e chute de média e longa distância, porque ele estava levando vantagem. Ficou mais livre para aumentar essa jogada pelo lado direito. " 

Dúvidas com que fiquei:
  1.  Em que Mundo é que o Dunga vive para achar que com o David Luiz em campo o nº de faltas perto da área do Brasil será menor?
  2. Se estava preocupado com as faltas perto da sua área, não seria melhor manter a bola longe dessa zona?
  3. Se a única jogada da Venezuela era o futebol direto, não seria melhor ter/meter em campo jogadores com capacidade e qualidade para manter a posse de bola?
  4. O Dunga sabe que o futebol evoluiu muito desde o tempo em que ele era jogador?

14 de jun de 2015

Processo de treino, objectivos e feedback

Não é difícil para qualquer pessoa, muito menos para um treinador de futebol, ter acesso a mil e um exercício de treino. Seja através da internet, de livros ou conversas com outros treinadores. é muito fácil um treinador conseguir encontrar vários exercícios de treino. A parte mais complicada é perceber para que os exercícios servem, ou seja, quais os objectivos dos mesmos e qual o comportamento que é potenciado com a aplicação daquele exercício. 

Há uns dias assisti a um seminário de futebol em que estava presente um treinador da uma equipa da 1ª Liga Portuguesa. Ao mostrar os exercícios de treino que utilizou durante a semana de preparação para um determinado jogo, a frase mais ouvida foi "Não me digam que isto é um exercício de posse de bola porque não é! O que me interessa neste exercício é como é que estes jogadores pressionam o portador da bola e fecham os espaços" (se não foi isto, foi algo muito parecido). Isto para dizer que, o mesmo exercício pode servir para potenciar comportamentos muito distintos, Tudo está dependente dos objectivos definidos pelo treinador e pelo feedback fornecido aos jogadores durante a sua execução. 

Por exemplo, um exercício assim "desenhado" pode potenciar comportamentos muito diferentes, senão vejamos:
  • Promover a ligação intersetorial entre a linha defensiva e a linha média na fase de construção. Os 2 centrais de amarelo (nº´s 4 e 5) e o médio defensivo (nº 6) devem conseguir bater a pressão dos 2 avançados adversários e ultrapassar as balizas dos cones com a bola controlada para posteriormente entregar a bola num dos médios.
  • Pressão da linha avançada. Os 2 avançados de azul (nº 9 e 11) devem pressionar os 3 adversários de modo a dificultar a fase de construção do adversário. 
  • Coberturas defensivas. Sempre que a bola entrar num dos médios de amarelo, os jogadores azuis devem ter em atenção a zona da bola a distância entre o jogador na contenção e a dupla cobertura
  • Criação de situações de finalização em superioridade numérica. Assim que um dos jogadores de amarelo conseguir passar a bola, por entre os cones e esta seja recebida por um dos médios do outro lado, o jogador amarelo mais perto dos médios pode junta-se a eles transformando o exercício num 4x3 com o objectivo de finalizarem em qualquer uma das duas balizas. 

Estes são apenas alguns objectivos que podem ser alcançados com um exercício deste género. Obviamente que cada exercício tem um foco e só o treinador o conhece no pormenor (não adianta filmar os treinos ou meter o Luisão a dá-los).  Por exemplo, se o objectivo do exercício passar por promover a ligação intersetorial entre a linha defensiva e a linha média na fase de construção, o feedback do treinador deve estar mais direccionado para os comportamentos dos defesas centrais com bola, ou seja, para a maneira como procuram criar espaço para sair em progressão mas também para o ajuste que os médios fazem para posteriormente receber a bola. Se por outro lado o objectivo do exercício forem os comportamentos sem bola dos médios, o feedback do treinador já estará mais direccionado para os triângulos defensivos (contenção-cobertura)

Em suma, mais importante do que escolher os exercícios é definir claramente quais os objectivos e comportamentos que queremos ver potenciados com a aplicação daquele exercício e quais os feedbacks mais indicados a serem utilizados para guiar o jogador a descobrir a melhor solução em função dos objetivos pretendidos. 






12 de jun de 2015

Mais que um goleador

Jackson Martinez é um dos avançados mais completos da actualidade, pelo que se prevê uma tarefa muito complicada aquela que o Porto tem pela frente, para encontrar um substituto à altura do colombiano. Mais que um goleador, Jackson é um monstro físico, é sinonimo de qualidade perto ou longe da área, é inteligência com e sem bola.  Não é só o Porto que fica mais pobre sem a sua presença, é também a liga portuguêsa porque são jogadores como Jackson, Nani, Gaitan, Jonas e etc que dão brilho ao nosso pequeno campeonato


11 de jun de 2015

Futebol de Formação

Ninguém é mais transparente e sincero que os miúdos, e quando não gostam de algo, neste caso de um exercício no treino, podem não o dizer directamente, mas dificilmente o conseguem esconder. Nota-se pela maneira como encaram o exercício, se estão ou não a gostar do que estão a fazer, e se acham útil fazê-lo. A concentração e motivação que os miúdos têm em cada exercício é reveladora do que estão a sentir em relação ao que lhes foi proposto pelo treinador. No decorrer dos exercícios vários são os erros que os miúdos desta idade cometem, na maioria, erros técnicos, como por exemplo um passe pouco preciso ou uma recepção mal feita, mesmo tratando-se de  exercícios de pouca complexidade. Perante este tipo de erros, aparentemente evitáveis, o treinador "culpa" os jogadores, referindo-se à concentração com que estão a executar o que lhes foi pedido. 

O que muitos treinadores de formação não conseguem entender, é que esses erros, muitas vezes são culpa do próprio exercício. Isto é, o exercício é tão aborrecido, tão descontextualizado do que é o jogo, que os miúdos não conseguem manter os níveis de concentração altos, e com isso cometem erros. Erram, mesmo tendo qualidade suficiente para fazer um simples passe ou uma recepção, porque aquele tipo de exercício já não é desafiante para eles. Obviamente que nem sempre a culpa está relacionada com os exercícios, mas no caso dos jogadores mais evoluídos tecnicamente, quando erram tanto em exercícios simples, quase sempre a culpa é do tipo de exercício e da exigência do mesmo. 

Exercícios sem oposição, estáticos, em que a única coisa que lhes é pedido é passar para o colega, sem sequer terem de pensar para qual deles passar, são completamente desmotivantes e descontextualizados e isso reflecte-se no rendimentos dos miúdos, não porque não tenham qualidade para fazer o que lhes é pedido, mas porque não conseguem encontrar motivação e concentração para fazer algo que consideram aborrecido e demasiado fácil. 






1 de mai de 2015

Empoli e o exemplo do que deve ser uma linha defensiva

Independentemente da qualidade dos executantes, é sempre possível a um treinador, apresentar comportamentos colectivos de qualidade, e Maurizio Sarri é um exemplo perfeito disso. Incrível a qualidade que a sua linha defensiva apresenta. Funcionam como um todo, pensando em conjunto e não cada um por si. Nota-se muito trabalho do treinador, trabalho de grande qualidade. Mais uma prova de que não é preciso jogadores de excelência, para que a equipa mostre qualidade nos processos. 

(portador da bola em progressão é estimulo para baixar. Se o portador estiver de costas, voltam a subir. Perfeito o movimento da linha defensiva)

26 de abr de 2015

Campeões há muitos, Guardiola só há um

Apelidado de anárquico por uns, elogiado por outros, o Bayern foi novamente campeão sem dar qualquer hipótese à concorrência. Verdade seja dita, a concorrência foi demasiado dócil para um Bayern tão forte, mas tal não retira mérito nenhum ao titulo conquistado por Guardiola. Não me custa imaginar um lista de 10 treinadores que fossem capazes de ser campeões este ano se tivessem no lugar dele, mas dificilmente algum o faria com a qualidade de Pep. 

Guardiola representa há vários anos aquilo que o futebol tem de melhor. Para ele, ganhar não chega, ganhar não o satisfaz, se não for associado a um futebol de qualidade, se não for claramente a equipa que melhor qualidade de jogo apresenta. É por isso que inova, inventa, experimenta, tudo com o objectivo de colocar a sua equipa a jogar o melhor futebol possível. Desde de jogar apenas com um defesa central, a colocar os defesas laterais a iniciar o processo ofensivo como médios interiores. o desejo de Guardiola em fazer evoluir o seu modelo de jogo parece nunca ter fim. É este o maior elogio que se pode fazer a um treinador, que apesar de já ter ganho tudo no futebol, de ser de longe o treinador que melhor coloca a sua equipa a praticar um futebol de excelência, nunca pára de imaginar de que maneira pode melhorar. 

Quem gosta verdadeiramente de futebol, tem, obrigatoriamente, de gostar de Guardiola e das suas ideias. Tem de adorar um treinador, que além de ganhar, proporciona a quem assiste aos seus jogos... futebol. Parece simples e fácil tal feito, dado que tem um plantel cheio de qualidade individual, mas quantas não são as equipas, que mesmo tendo no seu plantel vários jogadores de topo Mundial ,apresentam um futebol medíocre por culpa do seu treinador? 

Vale mais assistir a pequenos vídeos sobre a época do Bayern, que a 90 minutos, de certos jogos e de certas equipas


Campeões há muitos, mas Guardiola há apenas um, porque para ele, ganhar é "apenas" uma consequência natural de praticar um futebol de qualidade. 

21 de abr de 2015

Como é bom ver-vos jogar!

Pequenos em altura, enormes em talento. É por existirem jogadores como Verratti e Iniesta que o futebol é um desporto tão apaixonante. Jogadores que a cada jogada inventam algo novo, algo que ninguém estava à espera. Qualidade técnica, criatividade e inteligência em grandes quantidades resultam em jogadores assim. Não precisam de ser altos, não precisam de ser fortes nos duelos físicos nem precisam de correr como doidos durante 90 minutos porque tudo o que é preciso eles têm. 


18 de abr de 2015

Controlo da profundidade

Não faz nenhum sentido o posicionamento de Diego Alves no lance do 2º golo do Barça marcado por Messi. Com os seus colegas todos balanceados no ataque à procura do golo do empate, no mínimo Diego Alves deveria estar a meio do seu meio campo e não dentro da sua grande área. Caso estivesse onde devia, teria controlado a profundidade e muito provavelmente teria evitado o golo de Messi ,ainda de que nada valesse em termos pontuais, dado que o jogo iria terminar da mesma maneira, ou seja, com a derrota do Valência. 

16 de abr de 2015

David Luiz e os talentosos

Após a exibição medíocre que David Luiz protagonizou frente ao Barcelona, foram várias as criticas direccionadas ao central brasileiro. Glenn Hoddle, antigo selecionador inglês, foi corrosivo na sua avaliação e comparou David Luiz a uma criança de 8 anos. Verdade seja dita, há crianças de 8 anos que já sabem, que se forem o ultimo jogador (sem contar com o guarda-redes)  da sua equipa, entre a bola e a baliza, devem recuar uns metros, fazendo contenção, à espera que um colega de equipa chegue, e só nas imediações da grande área devem sair ao portador da bola. 

Glenn Hoddle diz ainda que "Ele (David Luiz) gosta de jogar como se estivesse no recreio onde o jogo não tem forma. Ele é talentoso mas não é isso que faz um futebolista de topo". Vários são os futebolistas que encaixavam que nem uma luva neste lote "talentosos sim, de topo não". Jogadores que apesar de terem muita qualidade técnica e de serem muito bons fisicamente, não conseguem ser de topo porque lhes falta inteligência. 

Um dos exemplos mais claros para se perceber (ou não) esta temática é Ricardo Quaresma. Apesar de ser um jogador extremamente talentoso, nunca se conseguiu afirmar num grande campeonato, mesmo tendo tido oportunidade de jogar em Inglaterra, Itália e Espanha. Não o conseguiu porque nunca foi capaz de colocar a sua qualidade técnica ao dispor do coletivo, associando-a à tomada de decisão e à inteligência. Nunca foi capaz de se relacionar com os colegas dentro de campo porque sempre jogou um futebol de recreio e não um futebol pensado. 

Embora David Luiz, Quaresma entre outros, tenham muita qualidade técnica, sejam dos mais talentosos que há nas suas respectivas posições, jamais estarão ao nível de jogadores que conseguiram associar a sua qualidade técnica e física à inteligência. 






11 de abr de 2015

O Rayo de Paco Jémez


Independentemente da qualidade dos executantes (jogadores), são as ideias do treinador que determinam, se num dado momento do jogo, a equipa, é ou não competente, colectivamente falando. Não se entenda por competência o número de golos marcados, isto do ponto de vista ofensivo, porque isso já não depende das ideias do treinador mas sim da qualidade individual dos jogadores. A fase de construção, é na minha opinião, o momento do jogo ofensivo em que o treinador tem mais responsabilidades, isto porque, quando passamos para uma fase de criar oportunidades de golo, já é a criatividade dos jogadores o factor que mais influência tem.

Posto isto, Paco Jémez apresenta o seu Rayo. Sempre fiel aos seus princípios de jogo, independentemente do adversário que enfrenta, o Rayo é uma equipa com mentalidade de grande. Futebol de posse, de construção apoiada, de qualidade na circulação de bola são algumas das marcas da equipa de Paco Jémez. Embora apresente algumas debilidades defensivas, é de louvar que uma equipa com a qualidade individual do Rayo, apresente um futebol deste nível. Para terminar, um desejo, ver Paco Jémez numa equipa com qualidade individual igual à qualidade das suas ideias ofensivas.

(a bola entrou no jogador perto do arbitro)



31 de mar de 2015

O melhor treinador é aquele que ganha

É muito frequente ler frases como a do titulo. Julgar o treinador com base nos resultados da sua equipa é uma situação bem frequente mas peca por ser bastante redutora. O treinador, assim como qualquer funcionário de um Clube, deve ser avaliado com base no sucesso ou insucesso das situações que são da SUA responsabilidade. É aqui que reside o grande problema quando se avalia um treinador, ou seja, o que é responsabilidade do treinador? 

Muitos são os adeptos que avaliam um treinador com base no resultado final ou no nº de troféus ganhos no final da época, mas esquecem-se de tudo o que contribui para esse desfecho. Um treinador pode ser o mais competente durante a semana de treinos, durante os 90 minutos e o resultado ser uma derrota por 3x0 frente a um treinador que durante a semana não preparou a equipa da melhor maneira. Confuso? 

Exemplo: O treinador da equipa A, sabendo que o adversário que ia encontrar na próxima jornada deixa muito espaço entre a linha defensiva e a linha média, preparou a sua equipa para que os médios recebessem a bola nesse espaço e a partir daí, enquadrarem e criarem situações de finalização. A semana de treinos correu na perfeição e os comportamentos que o treinador queria ver no jogo estavam assimilados pelos jogadores. Começou o jogo. Os lances em que a bola entrou entre a linha média e a linha defensiva foram mais de 10, mas infelizmente para o treinador da equipa A, o ultimo passe saiu quase sempre com mais velocidade do que o ideal e nas poucas situações em que o passe foi bem executado e a bola entrou num dos avançados, a receção foi mal feita e o lance terminou sem perigo. Ao minuto 90, ainda com 0x0 no marcador, um dos defesas da equipa A, ao movimentar-se de modo a controlar a profundidade nas suas costas escorrega e permite ao avançado da equipa B fazer o golo e dar a vitória à sua equipa. 

Que conclusão podemos retirar? É que o treinador da equipa B é mais competente do que o treinador da equipa A, apenas porque no final do jogo a vitória sorriu à sua equipa? Obviamente que não. Foi o treinador da equipa A que melhor preparou a sua equipa, foi a sua equipa a mais organizada em campo, quer no momento defensivo como no momento ofensivo. O treinador pode e deve ser julgado sim, mas pelos comportamentos que a equipa apresenta que são da sua responsabilidade. A equipa defende de forma compacta ou deixa espaço entre sectores? Sabem controlar a largura e profundidade? A atacar, é cada um por si ou há várias linhas de passe ao portador da bola? Terminam as jogadas todas com cruzamentos ou procuram circular a bola até criar condições para penetrar pelo corredor central? É nisto que o treinador tem influência e é com base nisto que deve ser julgado. 

É impossível avaliar correctamente o trabalho de um treinador com base no resultado final ou no nº de troféus ganhos isto porque nem todos os treinadores estão inseridos no mesmo contexto. A qualidade individual das equipas, a sorte, os árbitros, o estado do relvado etc são factores que contribuem e de que maneira para o desfecho de um jogo ou de uma época pelo que julgar o treinador com base no resultado final é demasiado redutor. Pode um treinador, sem nunca ter ganho nada, ser melhor treinador do que um que já venceu uma Champions? Obviamente que pode, e o futebol está cheio de exemplos desses. 







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