Quando se fala sobre o futebol de formação e o desenvolvimento dos jovens jogadores é quase impossível não se falar da exigência competitiva a que cada jovem está sujeito. Os estímulos, quer ao nível do treino quer do jogo terão sempre de ser os mais indicados, os que mais favorecem a aprendizagem do jovem jogador. Só garantindo, entre outros factores, uma exigência adequada é possível que o jovem jogador evolua o máximo que for exequível.
É aqui que surge, na maior parte dos casos, o grande problema no processo de aprendizagem dos jovens jogadores. Quais são os estímulos mais indicados para o jogador X? Qual o escalão em que o jogador Y deve jogar? Obviamente que não é fácil ter a certeza absoluta de qual é o estimulo ideal para cada jogador, nem será fácil, em contexto de treino conseguir individualizar, mas há várias situações em que é mais que óbvio que aquele jogador já não está a aprender nada com aquele nível de exigência.
São vários os casos em que vemos treinadores de formação, a utilizar jogadores mais velhos (biologicamente falando) em escalões mais baixos para que a equipa consiga vencer mais jogos com maior facilidade. Mas o que é que o jogador aprende nesse nível de exigência? Quais são os estímulos a que está sujeito que o vão fazer crescer enquanto jogador? Se tudo for demasiado fácil para o jogador, como é que ele irá errar e com isso aprender?
O contrário também se verifica. Num clube meu conhecido, alguém teve a ideia de colocar a equipa de Benjamins A a competir no escalão de Infantis B sem que a qualidade dos miúdos o justificasse (apenas 1, talvez 2 tenham qualidade a mais para competir no escalão de Benjamins A). O que é que vai acontecer a estes miúdos durante a época que se aproxima? Qual será a evolução que irão apresentar no final da época, se vão passar a maior parte dos jogos sem conseguirem trocar a bola entre si mais que 3s seguidos? Como será que os miúdos vão reagir ao facto de, durante a semana, competirem, no treino, com adversários do seu nível, e ao fim de semana enfrentarem adversários muito melhores que eles?
Há que ter a sensibilidade de perceber a que exigência os jogadores devem estar sujeitos, tendo sempre em conta, não a idade real mas a idade biológica de cada um. Os treinadores de formação devem cada vez menos pensar no resultado de cada jogo e na classificação no final da época, concentrando-se apenas na evolução dos seus jogadores, para que estes, no futuro, sejam capazes de ter todas as ferramentas necessárias para triunfar.









































