Poucos minutos em campo chegaram para Aquilani mostrar aquilo que tem para oferecer ao Sporting de Jorge Jesus, Muita qualidade e precisão no passe, tanto curto como longo. Visão de jogo acima da média.
19 de ago de 2015
Diego Costa: entre a cara e a técnica, até fica a parecer um gajo bonito
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15 de ago de 2015
O novo velho Dortmund
Apesar de apenas ter sido a 1ª jornada já é possível dar as boas vindas ao antigo e bom Dortmund mas agora orientado por Tomas Tuchel. Muita velocidade nas transições e muita dinâmica em organização ofensiva. Os melhores jogadores parecem novamente com capacidade de realizar uma grande época, repleta de exibições de grande nível, e assim o trabalho de Tuchel certamente que será mais fácil.
13 de ago de 2015
A força da técnica e técnica da força: Islam Slimani
Quando se fala de futebol, mais concretamente na qualidade dos jogadores, há e haverá sempre uma coisa impossível de alcançar: a unanimidade. Seja qual for o jogador, nunca existirá o momento em que toda a gente seja da mesma opinião em relação à sua qualidade. E isto porque, cada pessoa, olha para o jogador de maneira diferente. Independentemente da posição que ocupa no campo, nem toda a gente avalia o jogador com base nos mesmos parâmetros. Para uns o mais importante será o nº de golos marcados e de assistências feitas mas para outros já será a qualidade com que se movimenta, e ainda há os que dão mais valor aos atributos físicos como a resistência ou a velocidade.
Um exemplo bastante claro para explicar o que acabei de dizer é Islam Slimani. O avançado do Sporting, é um jogador sobre o qual é impossível haver unanimidade, sendo mesmo alvo de avaliações muito díspares. Na minha opinião, esta disparidade nas avaliações sobre o avançado argelino só é possível porque, a maior parte dos adeptos, do Sporting e não só, não têm em conta, no momento da avaliação, todas as situações que ocorrem durante um jogo de futebol. Isto é, só em raríssimos casos (como por exemplo o de Mário Jardel, excelente no momento da finalização mas fraco nos restantes) é que um jogador de futebol deve ser avaliado com base em apenas um momento do jogo, Não sendo o jogador em questão muito acima da média num determinado momento do jogo, deve ser avaliado de forma global.
É com base em todo o conjunto de situações que ocorrem durante o jogo que eu avalio Slimani, e por isso, a minha opinião sobre o mesmo não é a mais favorável. Quando olho para o avançado argelino vejo um jogador muito limitado do ponto de vista técnico e que por isso não consegue aproximar a sua equipa do sucesso em muitas das situações que ocorrem durante os 90 minutos. Mesmo tendo em conta a importância que Slimani tem em algumas situações (pressão, esquemas tácticos, 1ªas bolas etc), na maior parte dos casos, Slimani não tem qualidade técnica para oferecer à equipa o que ela precisa naquele momento. Enormes dificuldades na recepção e na condução, fazem Slimani perder uma grande quantidade de bolas em cada jogo. Em muitos casos, e apesar de conseguir entregar a bola a um colega, a mesma não lhe chega nas melhores condições. Mesmo no momento da finalização, Slimani não consegue, fruto das suas debilidades técnicas ser um avançado acima da média.
Se olharmos para Slimani de uma maneira racional e o avaliarmos com base em TODOS os momentos do jogo e TODAS as situações inerentes a esses momentos, facilmente nos apercebemos que o avançado argelino, apesar de ser importante em algumas situações, é um jogador com demasiadas deficiências técnicas para ser considerado um avançado de grande qualidade.
11 de ago de 2015
Supertaça Europeia: Muitos golos, muitos erros, muito medo e Pedro a decidir
Jogo louco o que terminou com a vitória do Barcelona sobre o Sevilha por 5x4. Apesar dos 9 golos marcados durante os 120 minutos, o futebol ofensivo de ambas as equipas deixou muito a desejar tendo em conta a qualidade individual que os 2 treinadores têm ao seu dispor. Posto isto, e tendo em conta o elevado número de golos marcados, facilmente se conclui que os erros defensivos cometidos pelas duas equipas foram muitos.
Barcelona/Luís Henrique- Exibição muito fraca mesmo tendo em conta a fase inicial da época. Ofensivamente sempre muito dependentes do que Messi poderia ou não fazer, sempre que a bola lhe chegava aos pés. No tempo de Guardiola seria impossível ver o Barça, numa final, deixar o adversário recuperar de uma desvantagem de 3 golos. Isto porque ao contrário do que Luis Henrique pensa, a melhor maneira de impedir o adversário de criar situações de perigo é retirar-lhe a posse de bola, não é recuar o bloco e colocar jogadores mais defensivos em campo. Defensivamente, a apesar de não serem esperados comportamentos de excelência, tudo o que se viu foi demasiado mau. Desde a fraca reação à perda da bola, passando pela falta de coordenação da linha defensiva, tudo foi mau quando o Barça não tinha a posse de bola, e se tivessem sofrido mais golos não seria de todo injusto.
Sevilha/Unay Emery- Demasiado medo do Barça durante toda a 1ª parte. Muito recuados, a permitirem que o Barça construísse sem qualquer tipo de pressão. Todas as bolas que conseguirem recuperar foram nos últimos 30 metros, o que dificultou e muito a saída para o ataque.A par do Barça também não fizeram nada de extraordinário do ponto de vista ofensivo mas na 2ª parte mostraram outra postura na altura de pressionar a fase de construção do adversário, obrigando-os a errar mais vezes e permitindo assim a recuperação da bola em zonas mais perto da baliza de Ter Stegen,
Pedro Rodriguez- Foi muito provavelmente o último jogo ao serviço do Barcelona. Apesar da forte concorrência que enfrenta no plantel do Barça é uma saída que vai deixar saudades. Desde que começou a ser uma aposta regular no 11 inicial de Guardiola que Pedrito mostrou que é um dos melhores extremos do Mundo. Muita qualidade técnica, muita inteligência e criatividade. Ao contrário de jogadores como Di Maria, o espanhol sabe jogar o que o jogo lhe dá. Sabe jogar de acordo com o que o contexto (colegas, espaço, adversários) lhe oferece e por isso foi sempre um dos jogadores mais preponderantes no modelo de jogo de Guardiola.
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23 de jul de 2015
Exigências competitivas. Futebol de formação
Quando se fala sobre o futebol de formação e o desenvolvimento dos jovens jogadores é quase impossível não se falar da exigência competitiva a que cada jovem está sujeito. Os estímulos, quer ao nível do treino quer do jogo terão sempre de ser os mais indicados, os que mais favorecem a aprendizagem do jovem jogador. Só garantindo, entre outros factores, uma exigência adequada é possível que o jovem jogador evolua o máximo que for exequível.
É aqui que surge, na maior parte dos casos, o grande problema no processo de aprendizagem dos jovens jogadores. Quais são os estímulos mais indicados para o jogador X? Qual o escalão em que o jogador Y deve jogar? Obviamente que não é fácil ter a certeza absoluta de qual é o estimulo ideal para cada jogador, nem será fácil, em contexto de treino conseguir individualizar, mas há várias situações em que é mais que óbvio que aquele jogador já não está a aprender nada com aquele nível de exigência.
São vários os casos em que vemos treinadores de formação, a utilizar jogadores mais velhos (biologicamente falando) em escalões mais baixos para que a equipa consiga vencer mais jogos com maior facilidade. Mas o que é que o jogador aprende nesse nível de exigência? Quais são os estímulos a que está sujeito que o vão fazer crescer enquanto jogador? Se tudo for demasiado fácil para o jogador, como é que ele irá errar e com isso aprender?
O contrário também se verifica. Num clube meu conhecido, alguém teve a ideia de colocar a equipa de Benjamins A a competir no escalão de Infantis B sem que a qualidade dos miúdos o justificasse (apenas 1, talvez 2 tenham qualidade a mais para competir no escalão de Benjamins A). O que é que vai acontecer a estes miúdos durante a época que se aproxima? Qual será a evolução que irão apresentar no final da época, se vão passar a maior parte dos jogos sem conseguirem trocar a bola entre si mais que 3s seguidos? Como será que os miúdos vão reagir ao facto de, durante a semana, competirem, no treino, com adversários do seu nível, e ao fim de semana enfrentarem adversários muito melhores que eles?
Há que ter a sensibilidade de perceber a que exigência os jogadores devem estar sujeitos, tendo sempre em conta, não a idade real mas a idade biológica de cada um. Os treinadores de formação devem cada vez menos pensar no resultado de cada jogo e na classificação no final da época, concentrando-se apenas na evolução dos seus jogadores, para que estes, no futuro, sejam capazes de ter todas as ferramentas necessárias para triunfar.
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15 de jul de 2015
Pablo "El Mago" Aimar
Após o anuncio do final da carreira, resta-nos agradecer por toda a magia que espalhou pelos relvados por onde passou. Um dos melhores de sempre a jogar em Portugal, por toda a qualidade técnica, inteligência e criatividade que demonstrou a cada toque na bola.
Obrigado Pablito Aimar!!
2 de jul de 2015
Visão de Picareta
Apesar da constante evolução de que o futebol tem sido alvo desde há muitos anos, continuamos a ouvir/ler muita coisa que nos faz questionar se estamos em 2015 ou em 1950. São vários os artigos, relacionados com o futebol, que contém afirmações que deixaram de ser verdadeiras há demasiados anos, para ser aceitável que sejam ditas em sítios onde se fala de futebol, por gente que supostamente percebe de futebol.
É-me de difícil compreensão como é que em pleno século XXI há gente que considera, por exemplo, que há avançados de 4x3x3 e avançados que não são de 4x3x3. Devo confessar que após a leitura desta pérola, procurei logo tentar perceber, junto do autor da afirmação, o que são avançados de 4x3x3 e o que acontece quando esses avançados jogam noutro sistema táctico que não o 4x3x3. Infelizmente, a apesar do 25 de Abril já ter sido há bastantes anos, o meu comentário nem aceite foi, pelo que a minha dúvida permanece: O que são avançados de 4x3x3?
Teoria Nº 1- Os avançados de 4x3x3 são os únicos avançados que podem jogar numa equipa em que os 4 defesas só defendem; o médio defensivo só destrói; os extremos só cruzam; e o avançado só finaliza.
Teoria Nº 2- Os avançados de 4x3x3 são os avançados mais anti-sociais que há no Mundo do futebol pelo que só aceitam jogar sem a companhia de outro avançado.
Teoria Nº 3- Os avançados do 4x3x3 são aqueles avançados que na escola nunca sabiam quais eram os números pares e ímpares.
Teoria Nº 4- Os avançados de 4x3x3, são, como diria Jorge Jesus, avançados de equipa pequena.
Teoria Nº 5- Os avançados de 4x3x3 são constituídos por moléculas de 4 átomos de carbono, 3 de hidrogénio e 3 de oxigénio que, perante a presença de sistemas tácticos com outros algarismos, se tornam instáveis e acabam por se desintegrar. Nota: estes avançados, embora possam jogar em sistemas de 3x3x4 e 3x4x3, são, ainda assim, demasiado volúveis em tais circunstâncias, não podendo ser manipulados sem auxílio de uma grande dose de picaretice. (Artur Semedo)
Teoria Nº 6- Os avançados de 4x3x3 são, como a matemática indica, avançados de 36. se estamos a falar de golos por época, de anos de vida ou de tamanho de...chuteira, só Deus sabe! (Artur Semedo)
Agora a sério. Estamos em 2015, não faz sentido nenhum continuar a dizer barbaridades deste género. Como é que alguém que supostamente percebe de futebol pode afirmar que um avançado é avançado de um único sistema táctico? Qual será, na mente brilhante do autor daquela afirmação, a diferença entre avançados de 4x3x3 e avançados de 4x2x3x1 ou 4x5x1? Sinceramente tenho muito curiosidade para saber. Será que o Messi é um avançado de 4x3x3? Não me digam que o Guardiola andou a jogar com um avançado de 4x4x2 no lugar de um avançado de 4x3x3!!!!! Boa noite.
27 de jun de 2015
A Argentina de Tata Martino
Embora não seja surpreendente tendo em conta a sua curta passagem pela Catalunha, a Argentina de Tata Martino é qualquer coisa de assustador. Para quem gosta verdadeiramente de futebol é penoso ver uma seleção com tanta qualidade individual apresentar um futebol de tão fraca qualidade. Não há qualquer organização com e sem bola. Não há uma ideia de jogo pela qual todos os jogadores se guiem. Não há dinâmica para desorganizar o adversário. Não há comportamentos defensivos de qualidade. Não há nada a não ser a qualidade individual dos seus executantes que diga que a Argentina é uma das melhores seleções do Mundo.
P.S- Di Maria é dos jogadores mais sobrevalorizados do Mundo, e isso nota-se ainda mais numa seleção que não consegue disfarçar as suas debilidades. Apesar de não lhe faltarem argumentos técnicos nem físicos, Di Maria não consegue pensar de maneira colectiva e isso reflecte-se e de que maneira nas suas ações dentro de campo. Jogo após jogo soma decisões que em nada aproximam a equipa do sucesso, ainda que por vezes, fruto da sua qualidade técnica e física consiga desequilibrar.
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22 de jun de 2015
As ideias de Dunga
Depois de muitas criticas às substituições realizadas no jogo contra a Venezuela (saídas de Robinho e Firmino para as entradas de David Luiz e Marquinhos), Dunga conseguiu a proeza de dar uma justificação mais ridícula que as próprias substituições.
"Para neutralizar a única jogada que a Venezuela fez o tempo todo. Era a bola longa para cabecear. Eles não tinham outra jogada e me preocupou muito a quantidade de faltas perto da nossa área. Infelizmente, não tivemos essas faltas a favor, só contra nós. O David já jogou nessa função, no meio, o Marquinhos também na lateral, e deixamos o Daniel Alves para a parte ofensiva, com velocidade e chute de média e longa distância, porque ele estava levando vantagem. Ficou mais livre para aumentar essa jogada pelo lado direito. "
Dúvidas com que fiquei:
- Em que Mundo é que o Dunga vive para achar que com o David Luiz em campo o nº de faltas perto da área do Brasil será menor?
- Se estava preocupado com as faltas perto da sua área, não seria melhor manter a bola longe dessa zona?
- Se a única jogada da Venezuela era o futebol direto, não seria melhor ter/meter em campo jogadores com capacidade e qualidade para manter a posse de bola?
- O Dunga sabe que o futebol evoluiu muito desde o tempo em que ele era jogador?
14 de jun de 2015
Processo de treino, objectivos e feedback
Não é difícil para qualquer pessoa, muito menos para um treinador de futebol, ter acesso a mil e um exercício de treino. Seja através da internet, de livros ou conversas com outros treinadores. é muito fácil um treinador conseguir encontrar vários exercícios de treino. A parte mais complicada é perceber para que os exercícios servem, ou seja, quais os objectivos dos mesmos e qual o comportamento que é potenciado com a aplicação daquele exercício.
Há uns dias assisti a um seminário de futebol em que estava presente um treinador da uma equipa da 1ª Liga Portuguesa. Ao mostrar os exercícios de treino que utilizou durante a semana de preparação para um determinado jogo, a frase mais ouvida foi "Não me digam que isto é um exercício de posse de bola porque não é! O que me interessa neste exercício é como é que estes jogadores pressionam o portador da bola e fecham os espaços" (se não foi isto, foi algo muito parecido). Isto para dizer que, o mesmo exercício pode servir para potenciar comportamentos muito distintos, Tudo está dependente dos objectivos definidos pelo treinador e pelo feedback fornecido aos jogadores durante a sua execução.
Por exemplo, um exercício assim "desenhado" pode potenciar comportamentos muito diferentes, senão vejamos:
- Promover a ligação intersetorial entre a linha defensiva e a linha média na fase de construção. Os 2 centrais de amarelo (nº´s 4 e 5) e o médio defensivo (nº 6) devem conseguir bater a pressão dos 2 avançados adversários e ultrapassar as balizas dos cones com a bola controlada para posteriormente entregar a bola num dos médios.
- Pressão da linha avançada. Os 2 avançados de azul (nº 9 e 11) devem pressionar os 3 adversários de modo a dificultar a fase de construção do adversário.
- Coberturas defensivas. Sempre que a bola entrar num dos médios de amarelo, os jogadores azuis devem ter em atenção a zona da bola a distância entre o jogador na contenção e a dupla cobertura
- Criação de situações de finalização em superioridade numérica. Assim que um dos jogadores de amarelo conseguir passar a bola, por entre os cones e esta seja recebida por um dos médios do outro lado, o jogador amarelo mais perto dos médios pode junta-se a eles transformando o exercício num 4x3 com o objectivo de finalizarem em qualquer uma das duas balizas.
Estes são apenas alguns objectivos que podem ser alcançados com um exercício deste género. Obviamente que cada exercício tem um foco e só o treinador o conhece no pormenor (não adianta filmar os treinos ou meter o Luisão a dá-los). Por exemplo, se o objectivo do exercício passar por promover a ligação intersetorial entre a linha defensiva e a linha média na fase de construção, o feedback do treinador deve estar mais direccionado para os comportamentos dos defesas centrais com bola, ou seja, para a maneira como procuram criar espaço para sair em progressão mas também para o ajuste que os médios fazem para posteriormente receber a bola. Se por outro lado o objectivo do exercício forem os comportamentos sem bola dos médios, o feedback do treinador já estará mais direccionado para os triângulos defensivos (contenção-cobertura)
Em suma, mais importante do que escolher os exercícios é definir claramente quais os objectivos e comportamentos que queremos ver potenciados com a aplicação daquele exercício e quais os feedbacks mais indicados a serem utilizados para guiar o jogador a descobrir a melhor solução em função dos objetivos pretendidos.
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12 de jun de 2015
Mais que um goleador
Jackson Martinez é um dos avançados mais completos da actualidade, pelo que se prevê uma tarefa muito complicada aquela que o Porto tem pela frente, para encontrar um substituto à altura do colombiano. Mais que um goleador, Jackson é um monstro físico, é sinonimo de qualidade perto ou longe da área, é inteligência com e sem bola. Não é só o Porto que fica mais pobre sem a sua presença, é também a liga portuguêsa porque são jogadores como Jackson, Nani, Gaitan, Jonas e etc que dão brilho ao nosso pequeno campeonato
11 de jun de 2015
Futebol de Formação
Ninguém é mais transparente e sincero que os miúdos, e quando não gostam de algo, neste caso de um exercício no treino, podem não o dizer directamente, mas dificilmente o conseguem esconder. Nota-se pela maneira como encaram o exercício, se estão ou não a gostar do que estão a fazer, e se acham útil fazê-lo. A concentração e motivação que os miúdos têm em cada exercício é reveladora do que estão a sentir em relação ao que lhes foi proposto pelo treinador. No decorrer dos exercícios vários são os erros que os miúdos desta idade cometem, na maioria, erros técnicos, como por exemplo um passe pouco preciso ou uma recepção mal feita, mesmo tratando-se de exercícios de pouca complexidade. Perante este tipo de erros, aparentemente evitáveis, o treinador "culpa" os jogadores, referindo-se à concentração com que estão a executar o que lhes foi pedido.
O que muitos treinadores de formação não conseguem entender, é que esses erros, muitas vezes são culpa do próprio exercício. Isto é, o exercício é tão aborrecido, tão descontextualizado do que é o jogo, que os miúdos não conseguem manter os níveis de concentração altos, e com isso cometem erros. Erram, mesmo tendo qualidade suficiente para fazer um simples passe ou uma recepção, porque aquele tipo de exercício já não é desafiante para eles. Obviamente que nem sempre a culpa está relacionada com os exercícios, mas no caso dos jogadores mais evoluídos tecnicamente, quando erram tanto em exercícios simples, quase sempre a culpa é do tipo de exercício e da exigência do mesmo.
Exercícios sem oposição, estáticos, em que a única coisa que lhes é pedido é passar para o colega, sem sequer terem de pensar para qual deles passar, são completamente desmotivantes e descontextualizados e isso reflecte-se no rendimentos dos miúdos, não porque não tenham qualidade para fazer o que lhes é pedido, mas porque não conseguem encontrar motivação e concentração para fazer algo que consideram aborrecido e demasiado fácil.
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