"Temos tendência para reter os dados que são compatíveis com as nossas convicções e as nossas ideologias, e que nos convêm" (Abravanel)
Quando um treinador procura criar/evoluir um modelo de jogo, ou seja, uma relação coletiva que ajude os jogadores a perceber e interpretar melhor as diversas situações ao longo do jogo, torna-se fundamental que os jogadores acreditem no que é feito, porque só assim vão adquirir os comportamentos que o treinador pretende. De modo a que o funcionamento colectivo de uma equipa resulte, é fundamental que os jogadores, acreditem que aquilo que estão a fazer os vai aproximar do sucesso, tanto a nível individual como colectivo.
Assim sendo, Guilherme Oliveira refere que a aprendizagem de um comportamento por parte de um jogador, será tanto melhor quanto maior for a compreensão do jogador relativamente a esse comportamento, e depois, a percepção de que o mesmo é benéfico tanto para ele como para a equipa. Quantas e quantas equipas não vimos já, piorar a qualidade do seu jogo porque os resultados não apareciam? Os índices de confiança dos próprios jogadores diminuem mas há mais: a falta de confiança no trabalho do treinador, ou seja, nas suas ideias e nos princípios de jogo que tenta incutir.
Lembro-me do caso do Villarreal o ano passado. A certa altura da época, e mesmo praticando um futebol de qualidade, com princípios ofensivos bons, as vitórias não apareciam. Por um motivo ou por outro, a qualidade apresentada em campo não se traduzia no marcador. Isto levou a que os jogadores começassem a perder a convicção nas ideias do seu treinador. Ao fim de alguns jogos consecutivos sem ganharem, o Villarreal parecia outra equipa. A qualidade exibicional baixou bastante porque os comportamentos que os jogadores demonstravam em campo já não iam ao encontro do que o treinador idealiza. Deixou de haver, por parte dos jogadores, convicção no trabalho do seu treinador.